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Editorial

Editorial: Máscaras no chão

Confira o editorial desta sexta, 24
Agora RN
24/06/2022 | 08:00

A prisão do ex-ministro Milton Ribeiro e dos pastores lobistas e o avanço das investigações sobre os malfeitos no MEC expõem que, diferentemente do que é propagado quase diariamente pelo presidente Jair Bolsonaro, há sim corrupção em setores do Governo Federal. Um pilar importante do discurso bolsonarista caiu por terra.

Na verdade, o presidente Bolsonaro jamais poderia ter garantido que não haveria corrupção em seu governo. Até porque ele mesmo reconheceu, durante a campanha e depois, que não tem a menor noção sobre alguns assuntos do governo. Mais de uma vez, disse entregar ministérios para aliados de “porteira fechada”. O caso mais recente foi quando nomeou Adolfo Sachsida para a pasta de Minas e Energia.

bolsonaro
Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente confia nas indicações e parece lavar as mãos para o que acontece dentro dos ministérios. Se mal sabe as competências da pasta, como garantir que ali dentro não pode ter desvios? O que garante que não há corrupção no governo, a não ser a palavra vazia do presidente?

É preciso que Bolsonaro vá além. Para garantir que, de fato, não haverá corrupção no governo, o presidente não pode ficar apenas no discurso e na bravata. É preciso fortalecer os mecanismos de combate à corrupção, e não atacá-los, como o presidente e seus asseclas fizeram ao longo do governo.

Um dos caminhos é o fortalecimento de instituições como o Ministério Público. Sob Bolsonaro, a Procuradoria-Geral da República passou a ser chefiada por alguém que sequer estava na lista tríplice elaborada pelos procuradores. O resultado é um procurador com atuação contestada, quase sempre apontado como alguém que blinda o governo de investigações.

Augusto Aras, hoje procurador-geral da República, é crítico da Lava Jato e, vale lembrar, dissolveu a força-tarefa criada para apurar casos de corrupção.

Sergio Moro, nomeado ministro da Justiça no início do governo, saiu acusando Bolsonaro de buscar interferir na Polícia Federal.

Além disso, Bolsonaro dificulta o acesso a informação, autorizando sem cerimônia a decretação de sigilo sobre qualquer assunto que, uma vez mexido, possa gerar incômodo a ele.

Neste governo, também houve forte ataque ao Coaf, órgão importante que, a partir de suas detecções de movimentações financeiras atípicas, colaborou com investigações sobre escândalos – envolvendo, entre outras figuras, um dos filhos do presidente.
Enfim, Bolsonaro precisa agir para fortalecer esses mecanismos para realmente se gabar de que faz um governo sem corrupção. Mais do que não ter corrupção, o presidente deve garantir que as instituições terão condições e independência de fazer o seu trabalho. Ou então a corrupção ficará escondida.

Ou Bolsonaro faz isso ou vai “queimar a cara” várias vezes.

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