A atividade econômica apresentou crescimento no segundo trimestre deste ano, segundo o Monitor do Produto Interno Bruto (PIB), feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O crescimento apontado é de 1,1% na atividade econômica no segundo trimestre em comparação ao primeiro e 0,1% em junho comparado a maio, considerando-se dados com ajuste sazonal. O índice ficou acima da expectativa do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira 15, que previa alta de 0,57%.
Na comparação em relação ao segundo trimestre do ano passado, a economia cresceu 3,0% no segundo trimestre e 2,7% em junho. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Ele serve para medir a evolução da economia dos países. O crescimento do índice, aponta que a economia vai bem e o país produz; já a diminuição do PIB indica que há uma retração na economia. O resultado oficial do período, que é medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem previsão de divulgação no mês de setembro. A FGV estima que o PIB foi de R$ 4,5 trilhões no primeiro semestre deste ano.

“O crescimento de 1,1% do PIB no 2º trimestre é reflexo do desempenho positivo das três grandes atividades econômicas, embora seja esperada uma redução do ritmo da atividade econômica no segundo semestre devido aos juros que estão em patamares elevados, e a despeito da expectativa de redução do ritmo inflacionário. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias e a formação bruta de capital fixo são os principais componentes a explicar o crescimento do PIB no trimestre. Pode-se destacar que os estímulos aplicados à economia, como a liberação do FGTS e a redução dos preços de alguns produtos considerados essenciais surtiram efeito positivo, pelo menos no curto prazo” segundo Juliana Trece, coordenadora da pesquisa feita pela FGV.
A Fundação Getúlio Vargas explicou que o método de gráfica desagregada dos componentes da demanda foi realizado na série trimestral interanual, ou seja, em comparação ao mesmo período do ano anterior, uma vez que ele apresenta menor volatilidade do que as taxas mensais e outras que são ajustadas de forma sazonal. Segundo a FGV, isso permite melhor compreensão da trajetória dos componentes analisados.
CONSUMO
O consumo das famílias cresceu 1,8% no segundo trimestre de 2022, comparado ao primeiro deste ano e 0,3% em junho frente ao mês de maio. Na comparação interanual cresceu 4,3% no segundo trimestre. Nesta comparação, todos os componentes do consumo cresceram, à exceção do consumo de bens duráveis. De acordo com o monitor da FGV, esta queda já seria esperada principalmente por conta do nível elevado dos juros. Entre os que cresceram o maior destaque continua sendo o consumo de serviços.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresentou crescimento de 4,0% no segundo trimestre, em comparação ao primeiro, e de 1,3% em junho, frente a maio. Na comparação interanual cresceu 0,3% no segundo trimestre. O componente de máquinas e equipamentos foi o único a apresentar queda nesta comparação (-3,7%), mas a uma taxa menor do que as quedas observadas nos meses anteriores.
A exportação de bens e serviços apresentou retração de 2,4% no segundo trimestre, em comparação ao primeiro e crescimento de 7,8% em junho, frente a maio. Na análise interanual, a exportação retraiu 4,6% no segundo trimestre, conforme apontado no Gráfico 5 no Press Release. Pelo segundo mês consecutivo, as quedas na exportação de produtos agropecuários e da extrativa mineral tiveram papel importante no desempenho negativo da exportação.
A importação de bens e serviços cresceu 7,2% no segundo trimestre, em comparação ao primeiro, e retraiu 1,2% em junho frente a maio. Na análise interanual retraiu 1,6% no segundo trimestre. Desde o trimestre encerrado em janeiro, a queda na importação de bens intermediários foi a principal responsável por esse resultado negativo da importação.
O MONITOR
O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa.
As desagregações disponibilizadas são o Consumo das Famílias, que agrega bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente, eles são classificados em nacionais e importados; Formação Bruta de Capital Fixo, que inclui máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados; e por último as exportações e importações de produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo – duráveis, semiduráveis e não duráveis –, produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.