Quase um em cada cinco estabelecimentos de saúde do Brasil já utiliza ferramentas de inteligência artificial em suas rotinas. É o que aponta uma pesquisa divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. Segundo o levantamento, 18% das unidades de saúde brasileiras relataram utilizar algum tipo de tecnologia baseada em IA.
O estudo mostra que a adoção é mais avançada entre instituições privadas, onde o índice chega a 25%, enquanto na rede pública o percentual é de 11%. A pesquisa buscou mapear o estágio de digitalização dos serviços de saúde e compreender como ferramentas tecnológicas vêm sendo incorporadas ao atendimento médico e à gestão hospitalar. Ao todo, foram ouvidas 3.270 unidades de saúde em diferentes regiões do Brasil. As entrevistas foram realizadas por telefone e complementadas com questionários aplicados pela internet.

Os dados indicam que hospitais de maior porte lideram o uso de inteligência artificial. Entre estabelecimentos com mais de 50 leitos, 31% afirmaram utilizar IA, percentual mais de dez pontos acima da média nacional. Na sequência aparecem os Serviços de Apoio à Diagnose e Terapia (SADT), que registraram índice de 29%.
Já entre unidades com até 50 leitos e estabelecimentos sem internação, o percentual ficou em 17%. Segundo o levantamento, as ferramentas mais utilizadas atualmente são aplicativos de IA generativa, como ChatGPT e Gemini. Cerca de 76% dos estabelecimentos que utilizam IA afirmaram empregar esse tipo de recurso em suas atividades.
Outras aplicações frequentes incluem ferramentas de processamento e análise de linguagem escrita ou falada, utilizadas por 52% das unidades, além de sistemas voltados à automação de fluxos de trabalho, presentes em 48% dos serviços pesquisados.
A pesquisa também identificou crescimento do uso de tecnologias de reconhecimento de fala, adotadas por 26% das instituições. Já o reconhecimento e processamento de sinais e imagens aparece em 17% dos estabelecimentos, enquanto sistemas de aprendizado de máquina foram citados por 15%. Nos hospitais de maior porte, a presença de plataformas de IA generativa é ainda mais elevada. Entre instituições com mais de 50 leitos, 85% das unidades que utilizam inteligência artificial relataram empregar aplicativos como ChatGPT e Gemini.
Além do atendimento médico, a tecnologia vem sendo usada principalmente para organização administrativa e otimização de processos internos. Segundo o estudo, 45% das unidades utilizam IA para organizar processos clínicos e administrativos.
Outras finalidades mencionadas incluem melhorias em segurança digital, apontadas por 36% dos entrevistados; aumento de eficiência nos tratamentos, citado por 32%; apoio logístico, com 31%; gestão de recursos humanos e recrutamento, com 27%; auxílio em diagnósticos médicos, com 26%; e apoio na dosagem de medicamentos, com 14%. Entre hospitais com internação e mais de 50 leitos, a principal prioridade relacionada ao uso da IA é a segurança digital.