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Artigo: A violência nunca será um caminho para a democracia

Confira o artigo desta quarta-feira 14
Tatiane Ribeiro
14/09/2022 | 08:47

A violência política no Brasil não ocorre de agora, é notável perceber isso nos livros de história, onde existem uma série de conflitos violentos desde a invasão dos europeus até os dias atuais. Um país que é construído por invasores, coronéis e escravagistas dificilmente teria em seus registros um histórico de paz enquanto república. É possível observar esse reflexo quando olhamos para nossa atual situação política, vemos eleitores em pleno regime democrático pedindo a volta o AI-5, da ditadura militar e até do regime imperialista.

O Jair Bolsonaro, atual presidente da república, é um dos principais incentivadores de políticas violentas contra pessoas de esquerda e castas desprivilegiadas como mulheres pretas, povos originários e LGBTQIAPN+. Em 2018, durante sua campanha eleitoral em visita ao Acre, Bolsonaro disse: “vamos fuzilar a petralhada”, fazendo menção violenta à oposição de esquerda. Segundo o Anuário de Segurança Pública, desde a posse de Bolsonaro até agora, aumentaram 473% o número de pessoas com licença para armas de fogo, foram quase 700 mil registros até junho desse ano.

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Segundo o Anuário de Segurança Pública, desde a posse de Bolsonaro até agora, aumentaram 473% o número de pessoas com licença para armas de fogo, foram quase 700 mil registros até junho desse ano/Créditos: Reprodução

É lógico que esses incentivos e números iriam aumentar a violência no país, basta olhar para os últimos acontecimentos, com os casos de assassinatos brutais por motivos políticos. Um levantamento da UniRio mostra que aqui no Brasil os casos de violência política aumentaram 335% nos últimos três anos. Exemplos nítidos dessa crescente são vistos em casos como o de Marcelo Arruda (ex-tesoureiro do PT), e Benedito Cardoso da Silva (trabalhador rural), ambos foram assassinados por apoiadores do Bolsonaro esse ano por causa da sua escolha política. Outro exemplo aconteceu essa semana com o candidato a Deputado Federal pelo PSOL, Guilherme Boulos, sendo ameaçado com uma arma de fogo por um bolsonarista.

Apesar desses exemplos, pesquisas afirmam que mulheres negras estão mais vulneráveis a ameaças e ataques. Foi o que ocorreu com Benny Briolly e Talíria Petroni ambas do PSOL, em 2020. Isso acontece principalmente, porque a política brasileira ainda é composta em maioria por homens brancos, por isso é tão importante ter diversidade e candidatos que respeitem as diferenças dos povos. Esse ano, entrou em vigor a Lei 14.192 que estabelece regras para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. Estamos atentas, não podemos permitir que esses ataques continuem, é necessário combater a violência em amplo aspecto, porque quando a gente parte para o ataque é porque perdemos o poder do debate democrático.

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