O milho pode integrar uma alimentação equilibrada e continuar presente na mesa dos brasileiros, inclusive durante o período junino, desde que seja consumido com moderação e preparado da forma mais natural possível. A orientação é da nutricionista Cláudia Helena, especializada em saúde cardiovascular, durante entrevista ao programa Panorama 95, da Rádio 95 FM, em Caicó.
Segundo a nutricionista, o milho é um alimento saudável e reúne importantes nutrientes para o organismo. Ela explicou que o cereal é fonte de carboidratos, fibras, vitaminas do complexo B e minerais, além de fornecer energia ao corpo sem representar, por si só, um problema para quem busca emagrecer ou melhorar os hábitos alimentares.

Cláudia lembrou que o milho está presente na alimentação humana há milhões de anos e que o Brasil possui grande diversidade cultural. “É uma fonte de energia para o nosso corpo. O milho faz parte dos carboidratos, sendo um alimento altamente energético. Porém, ele é um alimento que também traz fibras, vitaminas do complexo B, minerais e calorias. Mas não são aquelas calorias em excesso, de forma alguma. São calorias que dão para a gente introduzir na nossa mesa, na nossa dieta, até para quem está em processo de mudança alimentar e até de emagrecimento.”
Ela ressaltou que o benefício do alimento depende da quantidade consumida. “Ele é um alimento nutritivo que cabe na nossa mesa, porém, a gente precisa saber como consumi-lo.” Ao comparar o milho com outros alimentos consumidos com frequência, Cláudia Helena explicou que o cereal possui vantagem em relação à tapioca por conter fibras.
“Quando você compara a mesma quantidade de milho e a mesma quantidade da goma de tapioca, a tapioca tem zero fibra, porque é um alimento refinado. Enquanto a mesma quantidade de milho vai ter 1,7 grama de fibra. Isso é muito importante para a gente. É um alimento que dá até saciedade também, quando você consome de forma equilibrada.”

Outra orientação foi priorizar o milho in natura em vez das versões industrializadas. Segundo Cláudia Helena, o milho em conserva contém aditivos químicos que devem ser evitados sempre que possível. “Os alimentos em conserva vão ter aditivos químicos. Se eu tenho a possibilidade de comer um milho natural, é totalmente diferente de comprar um milho numa lata ou num saquinho. Sempre a gente vai optar pela alimentação o mais natural que a gente possa consumir.”
Embora considere o milho saudável, Cláudia Helena afirmou que o principal cuidado deve estar nas receitas tradicionais das festas juninas. Segundo ela, alimentos como canjica, pamonha e bolos costumam receber grandes quantidades de açúcar. “A questão principal são as preparações.”
Ela explicou que pessoas com diabetes ou esteatose precisam ter ainda mais cautela. “O segredo realmente é a moderação.” A nutricionista ensinou uma receita de canjica destinada principalmente a pessoas com diabetes ou que estejam em processo de emagrecimento.
Ela orientou utilizar milho fresco, leite de coco preparado em casa e adoçantes naturais próprios para aquecimento, como xilitol, eritritol ou estévia. Também recomendou consumir a sobremesa após ingerir uma fonte de proteína. “É importante também a gente não ficar com o estômago vazio e já comer uma coisa que tenha muito carboidrato, como o milho. Comer uma proteína antes é uma estratégia para consumir um alimento mais rico em carboidrato.”
A especialista também esclareceu dúvidas sobre o preparo do milho na fogueira. Segundo ela, o alimento mantém seus nutrientes quando assado. Ela apenas alertou para alimentos excessivamente queimados. “Alimentos queimados produzem compostos que, quando entram no organismo, agem como toxinas.”
“Assim como o milho atravessou séculos e muitas culturas, ele pode também atravessar a nossa mesa de forma saudável. Tradição e nutrição caminham juntas quando escolhemos o equilíbrio.”