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Saúde Infantil

Exemplo dos pais reduz seletividade

Médico destaca a importância do exemplo da família, da exposição repetida aos alimentos e da prática de atividades físicas para reduzir o risco de doenças crônicas
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 14:05

A alimentação oferecida nos primeiros anos de vida influencia diretamente o desenvolvimento infantil e a formação dos hábitos alimentares na fase adulta. A avaliação é do pediatra Fernando Palácio, que orienta pais e responsáveis a priorizarem alimentos naturais, evitarem produtos ultraprocessados e manterem o exemplo dentro de casa para reduzir a seletividade alimentar e prevenir doenças crônicas no futuro.

Segundo o médico, a criança tende a reproduzir os hábitos alimentares da família. Por isso, uma rotina baseada em frutas, verduras, legumes e proteínas favorece uma alimentação mais equilibrada ao longo da infância, mesmo que, em determinados momentos, haja resistência ou preferência por alimentos industrializados.

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Pratos coloridos, diferentes texturas e a exposição repetida a diversos alimentos favorecem a aceitação de novos sabores pelas crianças - Foto: magnific

“A criança vai ser exposta sempre àquela alimentação da casa. Se em casa os alimentos são saudáveis, a tendência é que essa criança consiga seguir melhor a alimentação. Apesar de que, em alguns momentos, elas podem ser expostas a alimentos multiprocessados, como a gente sabe, e pode até desenvolver algum tipo de seletividade, mas é importante que a gente prossiga sempre bastante firme com relação aos alimentos saudáveis, frutas e verduras, assim como proteínas.”

Fernando Palácio explicou que a orientação sobre a introdução alimentar mudou nos últimos anos. Em vez das tradicionais papinhas totalmente processadas, a recomendação é que os alimentos sejam oferecidos amassados, preservando textura e consistência para estimular o desenvolvimento da mastigação.

“É a comida amassada logo aos seis meses e essa consistência vai sendo diminuída e modificada conforme a criança vai crescendo e aceitando bem a alimentação.”

Além da textura, o pediatra destaca que a apresentação dos alimentos também interfere na aceitação pelas crianças. Segundo ele, pratos coloridos, com diferentes aromas e texturas, despertam maior interesse.

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Médico pediatra Fernando Palácio – Foto: reprodução

“A criança gosta de cor, gosta de aromas e texturas diferentes. Por mais que às vezes ela não aceite inicialmente, é necessário que você exponha àquela criança aquele alimento mais de uma vez, para que, de fato, você saiba se ela tem ou não algum tipo de seletividade. É muito importante que, de toda forma, seja exposta a todos os tipos de alimentos naturais. E, claro, sem sal, sem qualquer tipo de tempero industrializado e sem açúcar também.”

O pediatra reforça que o açúcar não deve fazer parte da alimentação infantil nos dois primeiros anos de vida.

“O açúcar, até os dois anos, a gente não recomenda. Somente o açúcar do próprio alimento.”

Fernando Palácio afirma que o comportamento dos pais durante as refeições influencia diretamente a relação da criança com a comida. Segundo ele, muitas crianças apresentam um comportamento diferente na escola justamente por observarem outras crianças se alimentando.

Para o médico, esse comportamento ocorre porque a criança tende a reproduzir o ambiente em que está inserida.

“O que acontece é que a criança espelha o que está sendo visto. Então, ela chega na escolinha e está vendo que os coleguinhas estão comendo a comida que é ofertada pela escola ou a comida que a mãe coloca na lancheirinha. Ela quer fazer parte daquele grupo e acaba também comendo.”

Já dentro de casa, fatores como o uso de telas durante as refeições podem prejudicar esse processo.

“Muitas vezes é exposta a telas durante a alimentação. Não se concentra no que está comendo. Acaba que a criança vai perdendo, às vezes, o interesse realmente no alimento.”

Ele recomenda que os pais compartilhem as refeições com os filhos e também incentivem hábitos saudáveis além da alimentação. Segundo Fernando Palácio, a prática regular de atividades físicas desde cedo contribui para reduzir o risco de diversas doenças.

“As crianças desde pequenas devem ser incentivadas a fazer atividades físicas de acordo com cada faixa etária. Porque isso vai prevenir que, mais na frente, ela seja uma criança obesa, com diabetes, hipertensão ou com outras doenças crônicas que são facilmente preveníveis.”

Outra estratégia apontada pelo pediatra é envolver a criança no preparo das refeições. De acordo com ele, participar da cozinha estimula a curiosidade e favorece a aceitação de novos alimentos.

Questionado sobre estratégias utilizadas pelos pais para convencer os filhos a comer verduras e legumes, Fernando Palácio afirma que pequenas negociações podem acontecer, desde que não se transformem em hábito. Ele acrescenta que a alimentação equilibrada deve prevalecer na maior parte do tempo. O pediatra também orienta que verduras e legumes sejam incorporados às refeições sempre que possível, inclusive para crianças que apresentam maior resistência.