BUSCAR
BUSCAR
Oriente Médio

EUA e Irã retomam diálogo sobre Ormuz

Países discutem realização de cúpula no Catar para preservar acordo provisório, garantir a segurança da navegação e evitar nova escalada militar no Golfo Pérsico
Por O Correio de Hoje
30/06/2026 | 14:18

Estados Unidos e Irã sinalizaram uma nova tentativa de reduzir a escalada militar no Golfo Pérsico ao concordarem em retomar as negociações sobre a situação no Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para a exportação de petróleo e gás natural do Oriente Médio. Segundo autoridades citadas pela imprensa internacional, os dois países discutem a realização de uma cúpula em Doha, no Catar, que poderá ocorrer nos próximos dias para tratar da segurança da navegação e da implementação do acordo provisório firmado neste mês.

A iniciativa ocorre após quatro dias consecutivos de confrontos e ameaças que colocaram em risco o entendimento alcançado entre Washington e Teerã. No domingo, a Guarda Revolucionária iraniana informou ter lançado drones e mísseis contra uma base naval no Bahrein e uma base aérea no Kuwait, ambas utilizadas pelas forças norte-americanas. Não houve registro de vítimas ou danos significativos, mas os ataques elevaram a tensão na região e aumentaram o temor de interrupções prolongadas no fluxo marítimo.

Trump 20 Copia
Trump diz que quer diálogo e acusa Irã de não querer acabar com o conflito - Foto: reprodução / internet

O centro da disputa permanece sendo o Estreito de Ormuz, passagem por onde, antes do início da guerra, transitava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. Os Estados Unidos defendem uma rota marítima ao sul, próxima à costa de Omã, para garantir a livre navegação internacional. Já o Irã insiste que as embarcações utilizem um corredor ao norte, sob sua supervisão, e afirma ter autoridade para regulamentar o tráfego na região.

Autoridades americanas responsabilizam Teerã pela retomada das hostilidades, alegando que drones iranianos atacaram embarcações que navegavam pela rota apoiada por Washington. O governo iraniano não reivindicou oficialmente esses ataques, mas reiterou que os navios devem seguir as rotas definidas por Teerã. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que qualquer tentativa de estabelecer acordos paralelos poderá atrasar a reabertura do estreito e ampliar a instabilidade regional.

Os Estados Unidos rejeitam essa interpretação. O embaixador norte-americano nas Nações Unidas, Mike Waltz, declarou que Washington não permitirá que o Irã controle “ilegalmente uma via navegável internacional”. A posição reflete o entendimento predominante entre governos e organismos multilaterais de que, embora o estreito esteja localizado entre águas territoriais do Irã e de Omã, sua utilização é regida pelo princípio da livre navegação internacional.

O fechamento parcial da passagem provocou impactos imediatos sobre o comércio marítimo. Centenas de embarcações, entre elas petroleiros carregados de petróleo, permaneceram retidas no Golfo Pérsico desde o início dos confrontos, alimentando preocupações com a oferta global de energia e pressionando os mercados internacionais. A perspectiva de reabertura da rota passou a ser um dos principais fatores monitorados por investidores e governos diante dos riscos para a cadeia mundial de abastecimento.

Além da navegação, as negociações abrangem o futuro do programa nuclear iraniano. O memorando provisório assinado em 17 de junho estabeleceu prazo de 60 dias para que Washington e Teerã definam um acordo definitivo, incluindo regras para o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã e mecanismos permanentes para garantir a segurança no Estreito de Ormuz. A possível reunião em Doha é vista como uma oportunidade para preservar o diálogo e evitar uma nova escalada militar em uma das regiões mais estratégicas para o mercado global de energia.