A extensão dos danos provocados pelos terremotos que atingiram a Venezuela começou a ser dimensionada por imagens aéreas divulgadas nas redes sociais e por novos levantamentos de organismos internacionais. Vídeos registrados sobre a cidade de La Guaira, no litoral norte do país, mostram dezenas de quarteirões destruídos, edifícios reduzidos a escombros e áreas inteiras devastadas após os dois fortes tremores registrados na noite da última quarta-feira, 24. Segundo o balanço mais recente, ao menos 589 pessoas morreram, mais de 2.900 ficaram feridas e cerca de 200 continuam desaparecidas sob os escombros.
La Guaira foi apontada como a região mais atingida pelo desastre. Relatório de uma agência humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) indica que mais de 100 edifícios desabaram na cidade e dezenas de outras construções sofreram danos estruturais severos. Localizada a cerca de 30 quilômetros de Caracas, às margens do Mar do Caribe, a cidade ocupa uma estreita faixa entre o oceano e a Cordilheira da Costa, característica geográfica que dificulta o acesso das equipes de resgate e o transporte de ajuda humanitária.

Os dois terremotos consecutivos também provocaram destruição em Caracas e em outras localidades da região norte venezuelana. Considerados os mais intensos registrados no país em mais de um século, os tremores derrubaram prédios residenciais, comprometeram a infraestrutura urbana e interromperam serviços essenciais em diversas áreas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) avalia que o número de vítimas poderá aumentar à medida que as equipes consigam alcançar bairros ainda isolados e avancem na retirada de escombros.
Além dos mortos e feridos, a dimensão da crise humanitária continua crescendo. Um portal criado para reunir informações sobre desaparecidos já contabiliza aproximadamente 40 mil registros de pessoas procuradas por familiares. O número, entretanto, ainda não foi validado de forma independente nem confirmado oficialmente pelas autoridades venezuelanas.
Na última quinta-feira, 25, o Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte de dois brasileiros em consequência dos terremotos. Em nota, o Itamaraty informou que as vítimas eram uma mulher e um homem e que presta assistência consular às famílias. Segundo pessoas que acompanham o caso, os brasileiros não pertenciam à mesma família e morreram em desabamentos distintos. Uma das mortes ocorreu em Caracas, enquanto a outra ainda permanece sob apuração.
Diante da gravidade da situação, o governo brasileiro anunciou o envio de ajuda humanitária. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que conversou com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para coordenar o apoio brasileiro às operações de resgate.
Segundo Lula, uma missão humanitária partiu na sexta-feira, 26, a bordo de um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), transportando 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A aeronave também leva nove toneladas de equipamentos destinados às operações de busca e salvamento urbano.
O governo brasileiro anunciou ainda o envio, no sábado, 27, de uma segunda aeronave transportando equipamentos para instalação de um hospital de campanha, 100 purificadores de água movidos a energia solar, medicamentos e materiais médicos destinados ao atendimento de vítimas e à realização de procedimentos cirúrgicos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o governo trabalha em conjunto com empresas privadas para ampliar a disponibilidade de máquinas pesadas e acelerar a retirada de escombros. Segundo ela, o objetivo é ampliar o acesso às áreas mais destruídas e reduzir o tempo de resposta das equipes de resgate.
As imagens aéreas divulgadas nas últimas horas reforçam a dimensão da tragédia. Além dos edifícios completamente destruídos, os registros mostram ruas bloqueadas por destroços, bairros inteiros isolados e grandes áreas urbanas severamente comprometidas. A dificuldade de acesso imposta pelo relevo de La Guaira e pela destruição da infraestrutura local mantém elevada a preocupação das autoridades e de organismos internacionais com o avanço das operações de socorro nos próximos dias.