Gilberto Gil celebrou seus 84 anos na última sexta-feira 26 com o lançamento da primeira parte de “Tempo Rei – Ao Vivo”, registro audiovisual da turnê de despedida que percorreu o Brasil entre março deste ano e março do próximo. O projeto estreia nas plataformas de streaming acompanhado de uma versão em vídeo no YouTube e marca o início de uma série de quatro volumes que serão disponibilizados ao longo de 2026, reunindo diferentes momentos do espetáculo que encerra mais de seis décadas de trajetória artística do cantor e compositor baiano.
O primeiro EP chega ao público justamente na data do aniversário de Gilberto Gil e reúne apresentações gravadas em diferentes cidades durante a turnê. O restante do material será lançado de forma escalonada até novembro, quando também será disponibilizado um box especial em vinil reunindo os quatro volumes do projeto, pela gravadora Três Selos Rocinante.

O repertório foi organizado para percorrer diferentes fases da carreira do artista. A primeira parte abre espaço para “Palco”, sucesso lançado em 1981, interpretado em São Paulo. A canção, uma das mais conhecidas do repertório de Gil, aparece cercada por filhos, netos e integrantes da banda que o acompanha na despedida dos palcos.
Na sequência, o projeto apresenta “Banda Um”, faixa do álbum homônimo de 1982, registrada durante apresentação em Fortaleza. A gravação preserva o clima festivo da composição, valorizando a participação dos instrumentos de sopro e da sanfona de Mestrinho.
A música que dá nome à turnê também integra o lançamento. “Tempo Rei”, originalmente presente no álbum Raça Humana (1984), foi gravada em Belo Horizonte e recebe nova leitura inspirada em ritmos como o afoxé e o baião. A apresentação utiliza elementos visuais que dialogam com diferentes períodos da carreira do artista, reforçando a proposta do espetáculo de revisitar sua trajetória.
Outro destaque é “Eu Só Quero um Xodó”, composição de Dominguinhos e Anastácia eternizada na voz de Gil na década de 1970. No registro realizado na capital mineira, a canção ganha referências visuais ao Nordeste e homenageia Luiz Gonzaga, considerado uma das maiores influências da música nordestina.
O samba também ocupa espaço importante no repertório. “Eu Vim da Bahia” aparece em uma apresentação gravada em Belo Horizonte, acompanhada pelo trombone de Marlon Sette, por um desfile de imagens de Dorival Caymmi e João Gilberto e por referências aos artistas baianos que ajudaram a transformar a música popular brasileira ao longo do século XX.
A religiosidade popular também faz parte da narrativa construída pelo espetáculo. A música “Procissão”, lançada em 1967, surge ao lado de imagens que remetem ao período inicial da carreira do cantor. Já “Domingos no Parque”, um dos marcos do Tropicalismo, recebe uma nova concepção visual com a participação do percussionista Gustavo Di Dalva e projeções gráficas que acompanham a apresentação.
O encerramento do primeiro volume traz uma interpretação de “Cálice”, parceria de Gilberto Gil com Chico Buarque composta durante a ditadura militar. A apresentação preserva o caráter político da obra, combinando o coro inspirado na MPB tradicional com a guitarra de Bem Gil. No telão, imagens fazem referência ao período de repressão política vivido pelo país, ampliando a dimensão histórica da canção.
Os próximos três volumes continuarão explorando diferentes momentos da turnê “Tempo Rei”. Todo o projeto audiovisual foi dirigido por Rafael Dragaud e editado por Joana Swan, responsáveis pela construção narrativa que acompanha as apresentações realizadas em diversas cidades brasileiras.
O último lançamento está previsto para novembro. Além de concluir a série digital, a data marcará a chegada ao mercado do box em vinil reunindo os quatro volumes de “Tempo Rei – Ao Vivo”, registrando de forma definitiva a turnê que marca a despedida de Gilberto Gil dos grandes palcos brasileiros.