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Estados Unidos

EUA prendem estrangeiros com vistos vencidos em aeroportos

ICE amplia operações contra viajantes com vistos vencidos, inclusive pessoas com pedidos de residência ou prorrogação em andamento
Por O Correio de Hoje
31/07/2026 | 13:36

O governo do presidente Donald Trump passou a deter estrangeiros com vistos vencidos durante viagens em aeroportos dos Estados Unidos, segundo documentos obtidos pelo New York Times e entrevistas com advogados de imigração. As operações teriam ocorrido em pelo menos 15 terminais nas últimas semanas e atingido também cônjuges de cidadãos americanos e pessoas com pedidos de residência, asilo ou prorrogação de visto em andamento.

As prisões indicam uma ampliação da cooperação entre o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e a Administração de Segurança nos Transportes (TSA). Um acordo firmado em maio de 2025 autoriza o compartilhamento de dados de passageiros para ações de fiscalização migratória. Inicialmente, o cruzamento de informações buscava viajantes com ordens de deportação, mas teria passado a incluir pessoas que permaneceram no país além do prazo do visto.

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Só em junho, o ICE efetuou 39,5 mil detenções e o objetivo agora é ampliar essea números para deportar uma maior quantidade de pessoas nos EUA - Foto: reprodução / you tube

Documentos obtidos pela organização American Oversight confirmam a existência do acordo de compartilhamento de dados. Segundo a entidade, a medida formalizou a participação da TSA na fiscalização migratória em voos domésticos, prática que antes era evitada pelo governo federal para não interferir na circulação interna de passageiros.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) não confirmou a ampliação do programa nem informou quantas pessoas foram detidas por permanência irregular em aeroportos. Em nota, o órgão afirmou que estrangeiros em situação considerada ilegal pelo governo não poderão mais viajar dentro do país, “a não ser para fora”, por meio de saída voluntária.

As operações ocorrem enquanto a Casa Branca pressiona o ICE para elevar o número de detenções. A meta interna é alcançar 2 mil prisões por dia, aproximadamente o dobro do ritmo observado no começo do ano. Em junho, o órgão deteve mais de 39,5 mil pessoas, o maior volume mensal até então, segundo dados analisados pelo Washington Post.

Entre os casos está o da equatoriana Chantal Morales Rojas, de 27 anos, detida por agentes à paisana quando embarcava em um voo da Southwest Airlines de Denver para Oakland, em 20 de julho. Ela entrou legalmente nos Estados Unidos em 2023 com visto de intercâmbio J-1, que venceu em janeiro de 2025, e havia solicitado autorização para permanecer no país. Um juiz autorizou sua libertação mediante fiança de US$ 3 mil.

Advogados afirmam que a mudança atinge estrangeiros que antes não eram tratados como prioridade para deportação, sobretudo aqueles sem antecedentes criminais e com processos migratórios pendentes. O DHS sustenta que a existência de um pedido em análise ou de uma autorização de trabalho não elimina uma eventual permanência além do prazo do visto.

A atuação do ICE levou especialistas a rever orientações sobre voos domésticos. Advogados passaram a recomendar que estrangeiros em processo de mudança de status evitem viagens aéreas, ainda que tenham documento de identificação válido. A preocupação é que o cruzamento de informações no embarque transforme aeroportos em pontos de localização e prisão de pessoas sem ordem anterior de deportação.