A Casa Branca voltou a concentrar, nesta semana, dois dos principais focos da política externa dos Estados Unidos. Em paralelo às cerimônias fúnebres do senador republicano Lindsey Graham, realizadas em Washington, o presidente Donald Trump recebeu separadamente o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Embora ambos dependam do apoio político, militar e financeiro de Washington, os encontros revelaram momentos distintos na relação de cada líder com o governo americano. Enquanto Zelensky saiu fortalecido após avanços na cooperação militar e na retomada das negociações diplomáticas sobre a guerra com a Rússia, Netanyahu chegou à Casa Branca tentando reduzir divergências públicas com Trump em torno da condução do conflito envolvendo Israel e o Irã.
O encontro com Zelensky ocorreu pela manhã e teve como principal tema a ampliação da cooperação militar entre os dois países. O presidente ucraniano informou que discutiu com Trump a emissão de licenças para que empresas da Ucrânia possam produzir componentes do sistema de defesa aérea Patriot, considerado um dos equipamentos mais importantes para conter ataques russos. A iniciativa, prometida anteriormente pelo presidente americano, é vista por Kiev como uma alternativa para reduzir a dependência das exportações americanas em um momento de escassez global desses sistemas. Os dois líderes também trataram da retomada dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito, incluindo a proposta de um cessar-fogo aéreo que vem sendo debatida por representantes de Washington e Kiev. Após a reunião, Zelensky agradeceu publicamente o apoio dos Estados Unidos e classificou o encontro como positivo.

A evolução da relação entre Trump e Zelensky representa uma mudança significativa em comparação aos primeiros meses do atual governo americano. No início do mandato, a relação entre ambos era marcada por forte desconfiança e episódios públicos de tensão, incluindo um encontro conturbado na Casa Branca em 2025. Desde então, a posição da Ucrânia ganhou força em Washington em razão da ofensiva conduzida por Kiev contra alvos estratégicos em território russo, que elevou os custos econômicos para Moscou e aumentou a pressão sobre o presidente Vladimir Putin. Paralelamente, diplomatas europeus intensificaram a interlocução com a Casa Branca, enquanto Lindsey Graham — um dos principais defensores da Ucrânia no Congresso — atuou até seus últimos dias para preservar a assistência militar americana e endurecer as sanções contra a Rússia. Na mesma data da visita de Zelensky, o Senado dos Estados Unidos avançou com um novo pacote de sanções econômicas contra Moscou, reforçando a convergência entre a Casa Branca e o Congresso em relação ao conflito.

Poucas horas depois, Trump recebeu Benjamin Netanyahu em uma reunião reservada que durou cerca de 90 minutos. Segundo integrantes da comitiva israelense, o principal assunto foi o programa nuclear iraniano. O premiê apresentou avaliações de inteligência e voltou a defender uma nova ofensiva militar contra instalações nucleares do Irã, alegando que parte da infraestrutura reconstruída desde os ataques anteriores exigiria novas ações militares. Assessores israelenses afirmaram que Netanyahu sustentou não haver alternativa além de novos bombardeios para impedir o avanço do programa nuclear iraniano, embora tenham ressaltado que Israel não pretende pressionar formalmente a Casa Branca. Após o encontro, Netanyahu afirmou que a conversa foi “excelente” e permitiu discutir “acordos importantes para a segurança e o futuro de Israel”. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, limitou-se a afirmar que tanto essa reunião quanto a realizada com Zelensky foram “positivas e produtivas”. Apesar da manutenção da sólida parceria estratégica entre Estados Unidos e Israel, o relacionamento pessoal entre Trump e Netanyahu atravessa uma fase mais delicada.