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Segurança pública

Álvaro diz que RN está dominado por facções criminosas

Pré-candidato ao Governo do Estado critica gestão de Fátima Bezerra, aponta avanço das organizações criminosas e diz que saúde, segurança e educação serão eixos centrais da campanha
Por O Correio de Hoje
30/06/2026 | 15:23

O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, afirmou que o Estado está “dominado pelas facções” e apontou a segurança pública como uma das principais reclamações da população potiguar. A declaração foi feita ao criticar a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) e defender que saúde, segurança e educação serão eixos prioritários de sua campanha.

“Acho que as principais queixas da população, os principais desejos, a principal reclamação é com relação à saúde e à segurança. Educação também. Infelizmente, nosso Estado, pelo terceiro ano consecutivo, governado por uma professora, tem os piores índices de educação do Brasil”, disse Álvaro.

Álvaro Dias
Ex-prefeito de Natal é pré-candidato ao Governo do Estado pelo PL - Foto: josé aldenir

Na sequência, o pré-candidato fez a crítica mais dura à área da segurança. “A saúde sucateada, os hospitais regionais não funcionam, a segurança também deixa muito a desejar, o Estado dominado pelas facções. Nós vamos mudar essa infraestrutura, nós vamos tomar atitudes, vamos colocar em prática projetos inovadores para mudar a saúde, a segurança e a educação no Rio Grande do Norte”, afirmou.

A fala de Álvaro ocorre em meio a um debate crescente sobre a atuação de organizações criminosas no Estado. Nos últimos anos, investigações, operações policiais e levantamentos de órgãos de segurança têm apontado a presença de facções em diferentes regiões do Rio Grande do Norte, com destaque para a disputa territorial entre o Sindicato do Crime, facção surgida no próprio Estado, e o Comando Vermelho, organização de origem fluminense que ampliou sua influência no Nordeste.

Um dos sinais mais recentes desse processo foi o crescimento da presença do Comando Vermelho no sistema prisional potiguar. Dados da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) já apontaram aumento expressivo no número de presos ligados ao grupo dentro das unidades prisionais. A expansão passou a ser tratada por autoridades da segurança como reflexo da disputa por territórios, rotas e mercados ilegais.

O Sindicato do Crime, por sua vez, mantém histórico de atuação no RN desde a década passada. A facção ganhou projeção nacional após a rebelião no Presídio Estadual de Alcaçuz, em 2017, quando pelo menos 27 presos foram mortos. O grupo também voltou ao centro das atenções em 2023, durante a onda de ataques contra ônibus, prédios públicos, bases policiais e equipamentos urbanos em várias cidades potiguaras.

Nos últimos meses, operações policiais voltaram a expor a atuação de facções na capital, na Grande Natal e no interior. Em maio, uma ação prendeu suspeitos apontados como integrantes de um núcleo de homicídios do Sindicato do Crime, com mandados cumpridos em Natal, Mossoró e Baraúna. Em São José de Mipibu, na Grande Natal, investigações também miraram suspeitos ligados a assassinatos atribuídos à disputa entre grupos criminosos.

A presença simbólica das facções também causou repercussão. Em maio, a sigla do Sindicato do Crime apareceu desenhada na areia do Morro do Careca, principal cartão-postal de Natal. O episódio foi interpretado como tentativa de demonstração pública de força da organização criminosa em uma área de grande visibilidade da capital.

A disputa entre grupos não se limita ao tráfico de drogas. Autoridades têm apontado que facções também buscam controle sobre atividades econômicas em comunidades, cobrança de taxas, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e influência sobre territórios. Em alguns municípios, a violência associada a essa disputa tem provocado aumento de homicídios e reforço de operações policiais.

Propostas

Ao tratar do tema, Álvaro tentou vincular o avanço da criminalidade à avaliação negativa que faz do governo Fátima. O ex-prefeito sustenta que o Estado precisa de mudanças na gestão da segurança, com ações mais firmes e projetos que, segundo ele, serão apresentados ao longo da campanha.

A crítica também se insere na estratégia eleitoral do pré-candidato. Álvaro tem buscado se apresentar como nome da oposição capaz de enfrentar o PT em um eventual segundo turno. Ele afirmou acreditar que a disputa estadual deverá refletir a polarização nacional e projetou um confronto direto com o candidato governista Cadu Xavier (PT).

“Provavelmente, com certeza, nós teremos um segundo turno entre Álvaro Dias e Cadu Xavier, esquerda e direita, nessa eleição aqui no Rio Grande do Norte”, declarou.

Além da segurança, Álvaro voltou a defender sua gestão à frente da Prefeitura do Natal como credencial para disputar o Governo. Segundo ele, sua administração foi “moderna, inovadora, competente”, terminou com 65% de aprovação popular, elegeu o sucessor e realizou obras que, em sua avaliação, transformaram a capital.

“Nós, assumindo o governo, possamos mudar, transformar também o Rio Grande do Norte, como fizemos pela cidade de Natal”, afirmou.