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STF

Vorcaro diz que mandou ameaçar adversários porque estava “nervoso”

Em depoimento ao gabinete de André Mendonça, banqueiro negou ter comandado grupo armado e afirmou que mensagens foram desabafos
Agora RN
03/09/2026 | 15:36

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que as mensagens nas quais teria determinado agressões e ameaças contra adversários foram enviadas em momentos de irritação. Segundo ele, as ações não chegaram a ser concretizadas.

O depoimento foi prestado na semana passada a integrantes do gabinete de Mendonça. Vorcaro falou sobre as suspeitas investigadas pela Polícia Federal (PF) de que teria comandado uma milícia armada liderada por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário.

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Daniel Vorcaro prestou depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF, sobre as acusações investigadas pela Polícia Federal - Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

Segundo as investigações, o grupo teria contado inclusive com policiais e realizado ameaças contra desafetos do banqueiro, além de obter informações sigilosas de órgãos de investigação.

Mensagens são citadas pela investigação

Entre as mensagens interceptadas pela PF, Vorcaro teria pedido a Sicário que o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, fosse agredido durante um assalto simulado.

Em outra conversa, o banqueiro teria mencionado uma funcionária da atriz Monique Alfradique, que, segundo ele, estaria fazendo ameaças.

Questionado pelos próprios advogados sobre as acusações, Vorcaro negou ter ameaçado ou agredido qualquer pessoa. Ele afirmou que as mensagens utilizadas pela PF foram retiradas de um conjunto de centenas de milhares de conversas e representariam momentos em que estava irritado.

“Em centenas de milhares de mensagens, tem quatro ou cinco mensagens que tiram, que eu esbravejei”, afirmou o banqueiro, segundo o depoimento.

Vorcaro também alegou que a PF teria construído uma narrativa para apresentá-lo como uma pessoa violenta e justificar sua prisão. Ele afirmou que nunca teria se envolvido com crimes e que não teria feito mal a ninguém.

Vorcaro admite pedido de informações sigilosas

Durante o depoimento, o banqueiro admitiu ter recorrido a pessoas para obter informações sigilosas de órgãos de investigação. Ele classificou a atitude como um “erro”, mas negou que tivesse utilizado essas informações para ameaçar ou atacar alguém.

Vorcaro também negou ter cometido crimes financeiros relacionados à venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Ele afirmou ainda que sua aproximação com políticos ocorreu por uma questão de “proteção” e disse possuir informações que poderiam embasar uma eventual delação envolvendo integrantes do governo.

PGR pede arquivamento

Na noite de quarta-feira 2, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer a André Mendonça solicitando o arquivamento do relato apresentado por Vorcaro. Segundo a manifestação, não haveria prova de crime informado pelo banqueiro.

As declarações fazem parte das investigações relacionadas ao caso envolvendo o ex-controlador do Banco Master e ainda não representam uma conclusão sobre as acusações investigadas.