O Dia Mundial da Lesão Medular é celebrado neste sábado 5 e chama atenção para os cuidados necessários diante de acidentes que podem provocar traumas na coluna. Quedas, acidentes de motocicleta, mergulhos em águas rasas e impactos durante atividades esportivas estão entre as situações que podem causar lesões e comprometer os movimentos e a sensibilidade do corpo.
Além do trauma provocado pelo acidente, uma tentativa de socorro feita de maneira inadequada também pode agravar o quadro. Movimentar, levantar, sentar ou puxar uma vítima sem conhecimento pode deslocar uma possível fratura e provocar danos à medula espinhal.

Quais são os sinais de alerta
Dor intensa na coluna, formigamento, dormência, perda de força nos braços ou nas pernas e dificuldade para controlar a urina ou as fezes podem indicar uma possível lesão medular. Diante desses sinais, é necessário buscar atendimento médico imediatamente.
A capacidade de caminhar após um acidente não significa que a pessoa não tenha sofrido uma lesão. Segundo o neurocirurgião e cirurgião de coluna Marco Moscatelli, uma vítima pode apresentar uma fratura vertebral inicialmente estável e, caso seja movimentada de forma inadequada, sofrer um deslocamento capaz de atingir a medula.
O que fazer em caso de acidente
A recomendação é acionar o serviço de emergência e evitar movimentar a vítima até a chegada de uma equipe especializada.
A pessoa só deve ser retirada do local antes da chegada do socorro quando houver risco iminente de morte, como incêndio, possibilidade de explosão ou afogamento.
Em acidentes envolvendo motociclistas, também não é recomendado retirar o capacete sem treinamento. O procedimento pode provocar movimentos de flexão e rotação do pescoço e agravar uma eventual fratura na região cervical.
Por que a região cervical exige atenção
A coluna cervical fica localizada na região do pescoço e pode ser atingida em diferentes tipos de trauma. Uma lesão nessa área pode provocar tetraplegia, com perda dos movimentos dos braços e das pernas, além de comprometer músculos responsáveis pela respiração.
Por isso, diante de um acidente com suspeita de trauma na coluna, a orientação é manter a vítima imóvel e aguardar o atendimento especializado.

Como é feito o tratamento
O tratamento varia de acordo com a localização, extensão e gravidade da lesão. Em determinadas situações, pode ser necessária uma cirurgia para descomprimir a medula ou as raízes nervosas, estabilizar a coluna ou controlar a dor provocada pelo trauma.
As primeiras horas após o acidente são consideradas importantes para o atendimento. A descompressão da medula e a estabilização precoce da coluna podem ajudar a reduzir o inchaço e ampliar as possibilidades de recuperação neurológica.
Alguns tipos de fraturas também podem ser tratados por técnicas minimamente invasivas. Entre as possibilidades estão fixações percutâneas, cirurgia endoscópica e procedimentos de cimentação, como vertebroplastia e cifoplastia. A indicação, no entanto, depende da avaliação individual de cada paciente.
Quem orienta
As informações são do neurocirurgião e cirurgião de coluna Marco Moscatelli, que atua na área de cirurgia endoscópica da coluna vertebral. Segundo a assessoria de comunicação do especialista, ele já realizou mais de duas mil cirurgias e participa de eventos internacionais voltados à formação e atualização de profissionais da área.