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Novas revelações

Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o País antes de ser preso

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que ex-banqueiro buscou informações e tentou marcar encontros antes da operação
Agora RN
01/09/2026 | 22:53

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, perguntou a um interlocutor que a Polícia Federal suspeita ser o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu em 15 de novembro de 2025. As mensagens, inicialmente reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, integram a investigação sobre a crise da instituição financeira.

Vorcaro foi detido em 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Na véspera, perguntou ao mesmo contato: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29 do dia 17.

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Daniel Vorcaro perguntou se deveria deixar o País antes de ser preso — Reprodução

Os diálogos mostram que Vorcaro tentou marcar sucessivos encontros nos dias anteriores à operação. Em 16 de novembro, avisou que estava em voo, pousaria por volta das 14h20 e seguiria diretamente ao local combinado. Naquele domingo, um avião pertencente à holding patrimonial do empresário viajou de Belo Horizonte para Brasília e, cerca de três horas depois, seguiu para São Paulo. Os documentos não confirmam, contudo, se os encontros ocorreram.

O ex-banqueiro também pediu informações sobre o andamento das apurações. Em uma mensagem, questionou se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sabia do caso e perguntou: “Conseguimos fazer algo?”. Já às 17h26 do dia em que foi preso, teria escrito: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. A extração do aparelho recuperou apenas os conteúdos enviados por Vorcaro, pois as eventuais respostas teriam sido transmitidas por imagens de visualização única.

O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, afirmou em decisão no fim de agosto que conversas com uma pessoa ainda não identificada indicam que Vorcaro teve conhecimento antecipado da possibilidade de prisão. Para Mendonça, os diálogos reforçam a hipótese de que o empresário buscava interferência de autoridades e justificam a identificação de integrantes de uma eventual “rede de influência e monitoramento”.

Outras mensagens mostram Vorcaro pedindo atuação junto a “Andrei e Paulo”, referências que seriam ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra”, escreveu. O empresário tentava antecipar o anúncio da possível venda do Master à Fictor Holding Financeira, em uma operação com investidores internacionais, para evitar o agravamento da crise do banco.

A Polícia Federal suspeita que o destinatário desses pedidos seja Moraes, mas a identificação ainda integra as diligências. Mendonça determinou que, depois de identificados os destinatários e demais citados, os investigadores forneçam a íntegra das interações relacionadas a essas pessoas. O material foi encaminhado ao STF, e a Procuradoria-Geral da República foi chamada a se manifestar.