Agentes da Polícia Federal (PF) abordaram o candidato a deputado estadual Josemar Varela (PL) no Aeroporto Internacional de Macapá, capital do Amapá, no extremo norte do país, e apreenderam o celular dele. A ação aconteceu por volta das 16h de segunda-feira 15, quando o candidato se preparava para voltar ao Rio Grande do Norte depois de cumprir agenda política no estado.
Procurado pelo jornal O Correio de Hoje, Josemar disse que não pode dar detalhes sobre a investigação porque o processo tramita em segredo de Justiça. “Esse caso corre em segredo de Justiça. O que posso dizer apenas que é um evidente caso de perseguição política. Isso vai ficar claro assim que os fatos puderem ser elucidados”, declarou.

Para o candidato, a abordagem foi “uma das coisas mais absurdas que já aconteceu durante uma campanha eleitoral”.
Nas redes sociais, Josemar confirmou a apreensão do aparelho e cobrou que o motivo da investigação seja tornado público. “Eu faço aqui um clamor. Derrubem o sigilo. Por que eu estou sendo investigado? Eu quero que o povo do Rio Grande do Norte saiba o motivo pelo qual estão me investigando de forma injusta”, afirmou.
Na viagem ao Norte, o candidato potiguar estava acompanhado de parlamentares de outros estados. Um deles, o deputado estadual Thomaz Henrique (PL-SP), de São Paulo, publicou um vídeo com parte da abordagem. As imagens mostram a movimentação dos agentes, e nelas o parlamentar paulista reclama que um dos policiais teria tentado impedir a gravação.
Josemar nega ter divulgado qualquer informação sobre o caso. Segundo ele, o vídeo circulou por iniciativa de pessoas presentes à abordagem, contrariadas com a conduta dos policiais. “Não publiquei nada em relação ao que aconteceu no aeroporto. Quem publicou é quem ficou indignado e viu que o que estava acontecendo era um absurdo”, disse, antes de divulgar o posicionamento em que pede a quebra do sigilo.
O grupo foi ao Amapá para participar de uma manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e realizada no domingo 14. O protesto tinha como objetivo pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), senador eleito pelo Amapá, a pôr em votação o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
É a primeira vez que Josemar disputa um cargo eletivo. Ele concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e conta com Nikolas Ferreira entre os principais apoiadores. O deputado mineiro já anunciou apoio à candidatura e esteve em agendas ao lado do potiguar.
Segundo Josemar, o episódio no aeroporto não muda nada na campanha. “Não vão me calar. Podem tentar de todas as formas”, disse. “A gente vai continuar firme e forte. Se eles acham que podem intimidar, não vão conseguir”, completou o candidato.