BUSCAR
BUSCAR
Justiça Eleitoral

Justiça manda bloquear bens de empresas condenadas por pesquisa irregular em Natal

Potengi Comunicação e Ranking Brasil devem R$ 79,3 mil por levantamento divulgado na disputa pela Prefeitura em 2024 e considerado não registrado
Agora RN
15/09/2026 | 22:37

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de contas e a restrição de veículos da Potengi Comunicação Ltda. e da Ranking Brasil Inteligência Ltda. para assegurar o pagamento de uma dívida de R$ 79.398,88. A decisão, da 1ª Zona Eleitoral de Natal, foi publicada nesta terça-feira 15.

As empresas alvos do bloqueio foram condenadas pela divulgação irregular de uma pesquisa sobre a disputa pela Prefeitura do Natal nas eleições de 2024.

Eleitor testa urna eletrônica apresentada pelo Tribunal Regional Eleitoral
Decisão da 1ª Zona Eleitoral de Natal manda bloquear bens de empresas condenadas por divulgar pesquisa irregular em 2024 — Fernando Frazão/Agência Brasil

O levantamento, registrado sob o número RN-06327/2024, foi realizado pela Ranking Brasil, contratada pela Potengi Comunicação, com mil entrevistados entre 9 e 13 de setembro de 2024. A pesquisa foi divulgada no dia 14 daquele mês e impugnada pela coligação “Bora Natal”, do então candidato Paulinho Freire (União), hoje prefeito de Natal.

Em sentença proferida em 3 de dezembro de 2025, a 1ª Zona Eleitoral concluiu que os prazos de registro e complementação foram respeitados, mas os dados apresentados estavam incompletos. Faltavam informações claras sobre os bairros ou áreas pesquisadas, o número de entrevistados por setor censitário e a composição final da amostra por gênero, idade, escolaridade e renda.

A pesquisa utilizou dez códigos de regiões baseados em dados do IBGE, sem identificar diretamente os locais abrangidos. Para a Justiça, “a falta de dados precisos, fidedignos e detalhados compromete a credibilidade da pesquisa”.

O levantamento foi considerado não registrado, seu conteúdo teve a remoção determinada e as empresas receberam multa solidária de R$ 53.205. A sentença já transitou em julgado, o que significa que não cabem mais recursos.

Na fase de cobrança, a Ranking Brasil alegou “incapacidade financeira”, mas não avançou na negociação oferecida pela União. Com multa processual, honorários e atualização, o débito subiu para R$ 79,3 mil.

A nova decisão autoriza bloqueios pelo Sisbajud e pelo Renajud, sistemas que a Justiça usa para alcançar contas bancárias e veículos, além de consultas fiscais e inclusão das empresas no Serasa e no Cadin.