O ex-prefeito de Nova Cruz Flávio de Berói desistiu de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, deixou o PSDB e passou a apoiar Walter Alves (MDB) para deputado estadual. O anúncio foi feito em publicação nas redes sociais no sábado 15, último dia útil após o encerramento do prazo de registro de candidaturas, e foi seguido por críticas públicas ao comando estadual da legenda.
Com ele saem também o prefeito de Nova Cruz, Joaquim de Souza, o “Joaquinha”, e oito vereadores do município — o bloco que sustentava o projeto eleitoral do ex-prefeito no Agreste potiguar e que agora se transfere para a campanha do emedebista.

Um arco de sete meses
O movimento fecha um ciclo que começou no início do ano. Em janeiro, Berói confirmou pré-candidatura a deputado estadual justamente pelo MDB de Walter Alves. Meses depois migrou para o PSDB e integrou a nominata da Federação PSDB/Cidadania, que oficializou 34 candidatos no Rio Grande do Norte em julho. Em agosto, saiu da disputa e devolveu sua estrutura política ao partido de onde havia partido.
Segundo o próprio ex-prefeito, a filiação ao PSDB ocorreu no último dia do prazo e foi influenciada pelo senador Styvenson Valentim, que depois deixou o partido e se filiou ao Podemos. Berói afirmou que esperava conquistar espaço na legenda em razão de sua projeção no Agreste, mas percebeu, nas reuniões internas, que estava no “lugar errado”.
Na publicação em que comunicou a saída, ele atribuiu a decisão a cuidados com a saúde, que exige “total atenção”, e a divergências com os rumos do partido na montagem da chapa proporcional.
“Após uma análise profunda do cenário político, percebi que não comungo com as escolhas e rumos do partido. A nominata atual não favorece o projeto coletivo que desenhamos para o futuro de Nova Cruz e da nossa região”, declarou.
O ex-prefeito sustentou que deixou a disputa apesar do desempenho atribuído a seu nome nos levantamentos. “Tomo essa decisão mesmo pontuando muito bem em todos os cenários. Fui citado em todas as pesquisas feitas, chegando, inclusive, a figurar em primeiro lugar”, afirmou.
As críticas ao comando estadual
Em entrevista posterior à Rádio Curimataú, Berói elevou o tom. Sem citar nomes, atribuiu as decisões partidárias a um grupo restrito. O presidente estadual da legenda é o deputado Ezequiel Ferreira, também presidente da Assembleia Legislativa; Fábio Dantas é apontado como um dos articuladores da nominata.
“Eu estava num partido que não me respeitava. Eu estava num partido que tinha só seis, cinco comandando lá. Como uma pessoa que está lá, que é candidato também, disse: lá era o ‘Clube do Bolinha’. Era só eles e eles e acabou-se”, declarou.
O ex-prefeito também criticou diretamente a condução da direção estadual: “Duas reuniões que eu tive lá, eu não gostei da procedência do presidente do PSDB nas suas falas, nas suas palavras”.
A quem comemorou a desistência, respondeu na mesma publicação: “A alegria com as dificuldades alheias só evidencia a pequenez de quem não consegue crescer por mérito próprio”. A saída da disputa foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre a retirada da candidatura e as críticas ao partido.
O rearranjo não se limita à disputa proporcional. Em julho, o grupo político de Berói já havia declarado apoio a Álvaro Dias na corrida pelo Governo do Estado, o que mantém a base de Nova Cruz alinhada à oposição no plano estadual enquanto transfere seus votos para o MDB na disputa pela Assembleia.