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Investigação

PF aponta que amiga de Lulinha comprou joias para ex-chefe de gabinete de Lula

Mensagens analisadas pelos investigadores indicam pagamento de R$ 9,2 mil e fazem parte da apuração sobre movimentações entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Ribeiro
Agora RN
17/08/2026 | 22:12

A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, comprou duas joias destinadas a familiares de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com a apuração, Marcola enviou por WhatsApp a imagem do modelo que pretendia dar de presente no Dia das Mães de 2024. Roberta teria pago a fatura de R$ 9,2 mil. O episódio integra o material reunido pela PF sobre a relação financeira entre a empresária e o ex-integrante do Gabinete Pessoal da Presidência.

Lulinha em imagem usada em matéria sobre investigação da Polícia Federal
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é citado em investigação sobre movimentações ligadas ao caso do INSS — Foto: Reprodução

Repasses são analisados pela PF

Ao longo de 2024, os valores atribuídos a Roberta em favor de Marcola teriam somado R$ 217 mil, incluindo transferências bancárias, pagamento de boletos e os presentes. Meses depois da apreensão do celular da empresária, o ex-chefe de gabinete devolveu R$ 249 mil. Segundo a versão apresentada por ele, o montante correspondia a um empréstimo, acrescido de juros e correção.

Marcola afirma que não cometeu ilegalidades e nega relação entre a movimentação financeira e sua atuação no governo. A defesa de Lulinha, por sua vez, questiona a autenticidade do material analisado pelos investigadores.

Roberta Luchsinger é investigada no contexto da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Ela é apontada nas investigações como pessoa próxima de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Investigação sobre fraudes no INSS

A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 para investigar descontos associativos aplicados sem autorização em aposentadorias e pensões. Segundo a Polícia Federal, as apurações alcançaram diferentes estados e reuniram suspeitas de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção e ocultação patrimonial.

Na primeira etapa concluída pela PF, o relatório apontou prejuízo estimado em cerca de R$ 6 bilhões. O documento foi enviado ao STF porque o inquérito passou a envolver pessoas com foro por prerrogativa de função. A Procuradoria-Geral da República é responsável por analisar o material e decidir sobre eventuais denúncias.

O Agora RN mostrou em julho que a PF indiciou 48 pessoas na primeira etapa da investigação, entre elas o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o Careca do INSS. O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

Caso Lulinha tramita no STF

O caso também envolve apurações que citam Lulinha. Em maio, uma mudança na coordenação da investigação pela Polícia Federal provocou questionamentos no Congresso. As apurações tramitam no STF sob relatoria do ministro André Mendonça.

A quebra de sigilo e a análise de mensagens são medidas de investigação destinadas à coleta de provas. Os elementos precisam ser examinados em conjunto e submetidos ao contraditório antes de qualquer conclusão judicial sobre responsabilidade.

A defesa de Lulinha sustenta que há dúvidas sobre a integridade e a autenticidade das mensagens atribuídas aos investigados. Já Marcola afirma que os recursos recebidos tiveram natureza privada e foram integralmente restituídos, sem vínculo com as funções que exerceu no governo. Essas versões deverão ser confrontadas com os dados bancários, os registros de mensagens e os demais documentos reunidos no inquérito.

A investigação sobre as joias é um dos desdobramentos da análise das movimentações de Roberta. O pagamento de R$ 9,2 mil se soma aos repasses e boletos atribuídos à empresária durante 2024. A devolução de R$ 249 mil ocorreu depois da apreensão do telefone usado nas conversas examinadas pela PF.

As informações reunidas pela PF ainda estão sob investigação. O indiciamento ou a citação em relatório policial não representam condenação, e cabe ao Ministério Público avaliar eventual apresentação de denúncia.