Um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia previa honorários que poderiam alcançar R$ 427 milhões em caso de êxito em 12 processos relacionados a precatórios.
A banca tem como sócia a advogada Camilla Ramos, casada com o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que Camilla e Newton eram chamados por assessores de Vorcaro de “turma do KN”, referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.

O contrato previa honorários líquidos equivalentes a 5% dos valores recebidos pelo Banco Master nas ações. Os processos envolviam créditos estimados em cerca de R$ 8,5 bilhões, relacionados a indenizações decorrentes do antigo controle de preços do Instituto do Açúcar e do Álcool.
As mensagens também registram contatos sobre hospedagem. Em uma delas, uma assessora informou que Newton Ramos teria enviado pedido atribuído a Kassio Nunes Marques para a obtenção de tarifa promocional em hotel. Vorcaro respondeu que o valor poderia ser colocado em sua conta.
Nunes Marques negou ter feito qualquer solicitação a Vorcaro e afirmou que nunca autorizou terceiros a falar em seu nome. O ministro confirmou ter viajado a Maceió, em novembro de 2025, para a festa de aniversário de Camilla Ramos, mas declarou que a relação tem caráter pessoal e não envolve contrapartidas relacionadas à atuação no Supremo.
O escritório confirmou a prestação de serviços ao Banco Master e afirmou que a contratação ocorreu de forma regular. A banca declarou não ter vínculo com Kassio Nunes Marques e informou que nenhum dos processos do banco conduzidos pelo escritório tramita atualmente no STF.

Newton Ramos afirmou que ele e Camilla mantinham relação pessoal com Vorcaro antes dos fatos investigados e declarou que nunca julgou processo de interesse do Banco Master.
Parte das ações sobre precatórios chegou à Segunda Turma do STF. Em um processo relacionado à usina Alcídia, Nunes Marques pediu vista e, depois, votou por tese que atendia aos interesses defendidos por Vorcaro. O julgamento terminou em 3 votos a 2.
As mensagens, documentos e relações entre os envolvidos seguem sob análise nas investigações relacionadas ao Banco Master.