A Polícia Federal (PF) concluiu o primeiro relatório da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes relacionadas a descontos associativos em benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia, Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, e Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e marca a conclusão da primeira fase da investigação.
Investigação apura prejuízo bilionário
Deflagrada em abril de 2025, a Operação Sem Desconto investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com prejuízo estimado em cerca de R$ 6 bilhões.
Segundo a Polícia Federal, parte dos investigados está presa preventivamente desde dezembro do ano passado. O foco inicial foi concluir o relatório referente a esse grupo de envolvidos.
O indiciamento representa o encerramento da investigação policial nessa etapa, mas não significa condenação. Agora, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar as provas reunidas e decidir se apresentará denúncia ao Supremo Tribunal Federal.
Defesas se manifestam
A defesa de Antonio Camilo Antunes informou que ainda não teve acesso ao conteúdo do relatório de indiciamento.
Já os advogados de Alessandro Stefanutto anunciaram que pedirão ao STF a revogação da prisão preventiva do ex-presidente do INSS. Segundo a defesa, após mais de um ano de investigação, com quebra de sigilos bancário e fiscal e análise de movimentações financeiras, não teriam sido encontrados indícios de recebimento de valores ilícitos por parte do ex-dirigente.
Os advogados também sustentam que o relatório da PF não teria considerado elementos probatórios que, na avaliação da defesa, poderiam afastar uma das principais linhas da investigação.
A defesa afirma ainda confiar que a análise completa das provas demonstrará a inocência de Stefanutto.