O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que levará “para o túmulo” os detalhes de como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial. Em entrevista ao jornal The New York Times, concedida em Miami na quarta-feira 4 e publicada nesta quinta-feira 5, ele negou ter recebido ajuda de governos para realizar a viagem.
“Fui eu sozinho. Não tive ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, declarou. Questionado sobre o deslocamento, acrescentou: “Como cheguei até aqui, isso vou levar comigo para o túmulo”.

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A versão contrasta com informações apuradas pelo jornal. Segundo o New York Times, autoridades americanas afirmaram que o jato que levou Flávio a Miami foi providenciado por um funcionário da Casa Branca e que sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.
A reportagem também informa que o trajeto passou pela Argentina e pelo Equador. Em um aeroporto argentino, o senador teria sido recebido por um dos principais assessores do presidente do país.
Flávio sustentou que decidiu partir espontaneamente, em uma conversa com a esposa, Fernanda Bolsonaro. Apesar de negar ajuda na organização da viagem, admitiu a possibilidade de ter recebido estímulo de pessoas próximas.
“Pode ter havido algum incentivo, mas nada além disso”, afirmou.
Senador diz que temia ser preso
Segundo Flávio, a decisão foi tomada na manhã seguinte à derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Ele relatou que foi abordado por autoridades ao sair da residência e informado de que teria 24 horas para entregar seus passaportes. O senador afirmou que temia ser preso caso permanecesse no Brasil, negou irregularidades e acusou o Judiciário de agir por motivação política.
“Já sei que o resultado final será minha prisão”, disse.
Flávio chegou a Miami em 28 de outubro, acompanhado da esposa e das duas filhas. De acordo com o New York Times, a família poderá permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, sob uma autorização migratória normalmente concedida por razões humanitárias.
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Contestação do resultado eleitoral
Durante a entrevista, o senador afirmou que pretende contestar judicialmente a vitória de Lula, embora tenha reconhecido as dificuldades para reverter o resultado.
Flávio voltou a levantar suspeitas sobre a votação sem apresentar provas. Entre os questionamentos, mencionou a prorrogação do horário de funcionamento de seções eleitorais e supostas falhas na apuração.
O New York Times contrapõe que os dois candidatos haviam solicitado a extensão do horário por causa das dificuldades de acesso de eleitores aos locais de votação. Segundo as autoridades eleitorais citadas pelo jornal, a medida alcançou aproximadamente 34 mil votos, quantidade insuficiente para alterar uma diferença de 4,4 milhões de votos.
A reportagem também registra que o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou as alegações de fraude e que observadores internacionais atestaram a integridade da eleição.
Planos nos Estados Unidos
Flávio disse que pretende continuar apoiando aliados no Brasil e defendendo pautas como a redução da maioridade penal e a anistia para o pai e para envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Ele evitou responder se buscará novas medidas do governo americano contra o Brasil. Ao comentar a postura de Trump diante da eleição, afirmou que o presidente não havia tomado partido e agradeceu pela possibilidade de permanecer nos Estados Unidos.
O senador disse que a família ainda não decidiu onde irá morar e que espera que a permanência no exterior seja temporária.
“Vou precisar seguir em frente com minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”, afirmou.
Flávio também voltou a mencionar uma eventual candidatura presidencial, sem explicar em quais circunstâncias haveria uma nova eleição antes do calendário regular.
“Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, declarou.
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