A bancada do PL no Senado oficializou, nesta quarta-feira 4, a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência da Casa para o biênio 2027-2028. O lançamento ocorreu durante uma reunião em Brasília, com a presença de 33 senadores, segundo o partido.
Líder da oposição, Marinho apresentou como prioridades a retomada da discussão sobre anistia aos condenados por atos golpistas, a fiscalização do governo Lula (PT) e a defesa das prerrogativas do Congresso Nacional.

A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027. O PL terá a maior bancada do Senado na próxima legislatura, com 29 das 81 cadeiras, e já conta com o apoio dos três senadores eleitos pelo Novo. Marinho também afirma ter respaldo de parlamentares do PP e do Republicanos. Para conquistar a presidência, será necessário alcançar pelo menos 41 votos.
O principal adversário é o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que pretende disputar a reeleição. Outra pré-candidata é Tereza Cristina (PP-MS), integrante do mesmo campo político de Marinho. Apesar da concorrência, o senador potiguar afirma que existe um entendimento para unificar as candidaturas de oposição em janeiro, quando o nome considerado menos competitivo deverá desistir.
“A Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata. Ela certamente vai tentar viabilizar sua candidatura”, declarou Marinho, que afirmou ter conversado com a senadora antes do lançamento. “No momento oportuno, pelo nosso acerto, nós vamos convergir”, acrescentou.
A movimentação ocorre após integrantes do PP manifestarem desconforto com pressões de apoiadores bolsonaristas para que Tereza abandone a disputa. Banners e publicações nas redes sociais cobraram que a senadora “pare de atrapalhar a oposição”. Durante a reunião do PL, no entanto, parlamentares procuraram demonstrar unidade. “A Tereza é nossa aliada”, afirmou Carlos Portinho (PL-RJ).
Críticas ao governo e defesa de Flávio
No discurso de lançamento, Marinho fez críticas ao presidente Lula, a quem chamou de inconsequente, e afirmou que pretende impedir o avanço do que classificou como “a barbárie que se avizinha no País”. Segundo ele, a oposição deverá atuar na revisão de propostas encaminhadas pelo Executivo, mas sem promover a paralisação administrativa do governo.
O senador também criticou a atuação do deputado André Janones (Rede-MG) nas redes sociais, associando a comunicação política do governo a um “exército de fake news e mentira”. Em referência aos apoiadores digitais do presidente, classificou o chamado “Exército do Lula” como medíocre.
Marinho manifestou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula na eleição presidencial de outubro. Coordenador da campanha de Flávio, o parlamentar potiguar afirmou que houve uso abusivo da máquina pública pelo PT e sustentou que o aliado deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos por não encontrar condições de julgamento imparcial no País.
Após viajar para os Estados Unidos e contestar o resultado eleitoral, Flávio declarou apoio à candidatura de Marinho. A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) não participou da reunião de lançamento.
Anistia e impeachment
Entre as principais bandeiras apresentadas pelo candidato está a discussão da anistia aos condenados por envolvimento em atos golpistas. Marinho afirmou que o Congresso deve ter autonomia para apreciar a proposta, sem interferências externas.
“A anistia é uma pauta que foi impedida […] de tramitar dentro do Congresso”, declarou. O senador afirmou ainda que o Parlamento estaria submetido a pressões e constrangimentos que comprometem seu funcionamento.
Sobre pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Marinho disse que o assunto não será o único objetivo de sua eventual gestão, mas prometeu examinar denúncias de crimes de responsabilidade. “Ninguém está acima da lei. Se algum ministro cometer crime de responsabilidade, nós não seremos, ao contrário do que acontece hoje, omissos”, afirmou.
O candidato também acusou Alcolumbre de tentar conquistar votos de senadores da direita mediante a distribuição de recursos. “Vão tentar comprar a consciência dos senhores, mas não vão conseguir”, disse.
Marinho defendeu maior transparência na eleição para a presidência do Senado, atualmente realizada por voto secreto. Parte da oposição propõe que os parlamentares revelem suas escolhas antes de depositar as cédulas, como forma de evitar apoios não declarados a Alcolumbre.
“O voto aberto é recomendável e necessário. Vamos avaliar de que forma isso pode acontecer”, afirmou o senador.
Marinho prometeu respeitar a proporcionalidade partidária, ouvir os parlamentares e assegurar espaço para divergências caso seja eleito. “Não sou radical, sou um político que tem consciência do que acontece no País e não vou me calar”, declarou.
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