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Bastidores da eleição

Rogério Marinho teria aconselhado Flávio a reconhecer derrota e ligar para Lula

Apuração aponta senador potiguar entre os aliados que recomendaram reconhecer o resultado; Flávio preferiu contestar
Agora RN
26/10/2026 | 17:04

O senador potiguar Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, teria integrado o grupo que aconselhou o candidato derrotado a reconhecer o resultado do segundo turno e telefonar para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada nesta segunda-feira 26 pela CNN Brasil.

Segundo a apuração, além de Marinho, defenderam essa posição o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a advogada Maria Claudia Bucchianeri. Os quatro participaram das discussões sobre o pronunciamento que Flávio faria depois da confirmação da vitória de Lula.

Senador Rogério Marinho durante pronunciamento no Senado
Senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, em imagem de arquivo — Foto: Ton Molina/Senado

Orientação foi rejeitada

Segundo a apuração, o grupo avaliava que Flávio sairia politicamente fortalecido se reconhecesse a derrota, parabenizasse Lula e, ao mesmo tempo, cobrasse esclarecimentos da Justiça Eleitoral sobre os problemas registrados durante a votação.

O reconhecimento do resultado não impediria que a campanha adotasse medidas jurídicas posteriores. A orientação era separar o gesto político de respeito às urnas de eventuais questionamentos sobre atos da campanha adversária ou sobre a condução do processo eleitoral.

Flávio preferiu seguir a posição de integrantes do grupo que defendiam a contestação imediata. A discussão ocorreu em uma residência no Lago Sul, em Brasília, entre o momento em que Lula foi declarado matematicamente reeleito, às 21h08, e o pronunciamento do candidato do PL, por volta das 22h40.

Leia mais: Rogério Marinho acompanhou Flávio no anúncio do pedido de anulação

Contestação do resultado

No pronunciamento, Flávio afirmou que não reconhecia o resultado e anunciou que pediria a anulação da eleição. Rogério Marinho estava ao lado do candidato durante a declaração. Até o momento, não há confirmação de que uma ação com esse pedido tenha sido protocolada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A principal alegação apresentada pelo grupo foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu a continuidade da votação até as 19h nas seções que permaneciam abertas. Urnas que já haviam sido encerradas não foram reabertas.

As campanhas de Lula e de Flávio haviam solicitado a ampliação do horário em diferentes regiões. A primeira relatou dificuldades no transporte público; a segunda apontou problemas provocados pelas chuvas em estados do Sul e do Sudeste.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação exigiu mudanças operacionais, mas não comprometeu o resultado. Levantamento feito com dados públicos das urnas mostrou que os votos concluídos depois das 17h representaram 0,027% do total registrado no segundo turno.

Leia mais: Votos após as 17h somaram apenas 0,027% do total do segundo turno

Resultado da eleição

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.

Rogério Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte e líder da oposição no Senado, coordenou a campanha nacional de Flávio. No estado, Lula obteve 65,72% dos votos válidos, contra 34,28% do candidato do PL.

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