BUSCAR
BUSCAR
Pós-eleição

Após derrota, Flávio anuncia ação contra chapa de Lula e diz que PF o intimou a entregar passaportes

Senador afirma que ordem de Alexandre de Moraes também o impede de deixar o país e diz que cumprirá a decisão
Agora RN
26/10/2026 | 18:12

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, anunciou nesta segunda-feira 26 que pretende pedir a cassação da chapa vencedora. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele também contestou a prorrogação da votação e afirmou ter recebido ordem para entregar os passaportes à Polícia Federal.

Flávio obteve 59.826.041 votos, o equivalente a 48,21% dos votos válidos. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79%, segundo o resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.

Flávio Bolsonaro em vídeo divulgado após o segundo turno
Flávio Bolsonaro divulgou vídeo um dia após o segundo turno — Foto: Reprodução

No pronunciamento, o ex-candidato atribuiu a derrota a supostos abusos políticos e econômicos do governo e afirmou que a eleição “não foi normal”. Ele não apresentou no vídeo documentos ou provas que sustentassem as acusações. Também disse que cumprirá a ordem sobre os passaportes e que pretende organizar a oposição no Congresso.

Pedido de cassação

Flávio afirmou que vai pedir a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB). Segundo ele, o governo teria usado recursos públicos para influenciar a disputa e criado um ambiente desigual entre os candidatos.

“O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil”, afirmou Flávio.

Ao mencionar o valor, o senador se referia ao conjunto de anúncios e medidas econômicas apresentados pelo governo Lula durante a campanha. Entre as iniciativas estavam o Prospera MEI, com perdão de dívidas federais, renegociação bancária e apoio a investimentos, e o envio ao Congresso de uma proposta de tarifa zero no transporte coletivo.

Prorrogação da votação

A principal crítica ao processo eleitoral foi dirigida à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação até as 19h em todo o país. A medida foi tomada após relatos de dificuldades no transporte de eleitores e alcançou as seções que ainda permaneciam abertas.

Flávio afirmou que a mudança ocorreu quando parte das urnas já havia sido encerrada e disse que o impacto precisa ser esclarecido. O senador também citou o fato de Zanin ter atuado como advogado de Lula antes de ser indicado ao STF.

Dados dos registros das urnas mostram, contudo, que os votos computados depois das 17h representaram cerca de 0,027% do total do segundo turno. O volume foi muito inferior à vantagem de mais de 4,4 milhões de votos obtida por Lula.

Leia mais: Votos após as 17h somaram apenas 0,027% do total registrado no segundo turno

Ordem para entregar passaportes

Na parte final da gravação, Flávio afirmou que foi intimado pela Polícia Federal quando deixava a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Segundo o senador, a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, exige a entrega dos passaportes e o impede de deixar o país.

Flávio disse que a decisão se baseou em uma declaração do deputado Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, segundo a qual o irmão deveria sair do Brasil em caso de derrota. O senador negou que pretendesse viajar para o exterior e afirmou que cumprirá a ordem enquanto prepara sua defesa.

O ex-candidato classificou a medida como tentativa de intimidação e questionou se a determinação teria sido adotada caso ele tivesse vencido. Ao relatar o episódio, usou a expressão “polícia federal do Lula”. A corporação, porém, é um órgão de Estado e cumpre ordens judiciais independentemente do governo de turno.

Organização da oposição

Flávio também anunciou que pretende reunir deputados e senadores eleitos para organizar a atuação da oposição no próximo mandato. Disse que Câmara e Senado serão usados como espaço de resistência às propostas do governo reeleito e afirmou que não deixará a vida política após a derrota.

A manifestação ocorre em meio a divergências dentro do próprio campo político do senador. Rogério Marinho (PL-RN) e outros aliados haviam defendido o reconhecimento do resultado e um telefonema a Lula, mas a orientação foi rejeitada pela ala favorável à contestação imediata.

Leia mais: Rogério Marinho aconselhou Flávio a reconhecer derrota e ligar para Lula

Ao encerrar o vídeo, Flávio agradeceu aos quase 60 milhões de eleitores que votaram nele, pediu aos apoiadores que continuem mobilizados e afirmou que seguirá liderando a oposição. O TSE proclamou o resultado do segundo turno e declarou Lula reeleito para um quarto mandato presidencial.

NOTÍCIAS RELACIONADAS