Augusto Cury (Avante) anunciou nesta quinta-feira 8 apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, após o candidato assinar uma carta com oito compromissos defendidos pelo escritor. Entre os pontos estão o fim da reeleição presidencial, financiamento a até dez milhões de microempresas e medidas para saúde, educação e proteção às mulheres.
Terceiro colocado no primeiro turno, Cury recebeu 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos. Ao comunicar sua decisão, afirmou que não integrará um eventual governo de Flávio e que continuará manifestando suas divergências.

“Tive com Flávio uma longa conversa, olho no olho, sem filtros e sem rodeios. Disse-lhe claramente que não participaria de seu governo e que minha independência de pensamento seria inegociável”, disse.
“Meu apoio não é um cheque em branco. Apoio não é submissão! Se concordar, direi que concordo. Se discordar, direi que discordo.”
Flávio disputa a Presidência com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Os eleitores voltam às urnas no dia 25 de outubro.
Antes do anúncio, o senador já havia citado Cury em uma declaração: “90% das dores dos seres humanos não têm coloração partidária. Isso aprendi com o professor Augusto Cury”.
A carta assinada por Flávio reúne propostas apresentadas por Cury durante a campanha. O apoio está condicionado ao cumprimento dos compromissos, segundo o documento divulgado.
Os pontos são:
- Fim da reeleição presidencial, com defesa da alternância de poder e da renovação democrática.
- Mudanças na saúde, com ampliação da telemedicina e do acesso à medicina moderna.
- Proteção integral às mulheres, com uso de tecnologia e enfrentamento da violência.
- Mudanças na educação, com valorização dos professores e melhores salários.
- Financiamento de até dez milhões de microempresas, para estimular o empreendedorismo e a geração de empregos.
- Fortalecimento do cooperativismo, com defesa do ato cooperativo, apoio às cooperativas e verticalização agroindustrial.
- Valorização da agricultura, com a meta de dobrar a produção sustentável de alimentos em dez anos.
- Pacificação nacional, com um governo para todos os brasileiros, independentemente de suas convicções políticas, e combate à corrupção.
“O Brasil precisa aprender a conviver consigo mesmo, respeitar suas diferenças e proteger suas instituições”, afirmou Cury.
Em transmissão no YouTube, Flávio agradeceu o apoio e disse que concordou integralmente com o conteúdo dos compromissos assinados.
As adesões anunciadas nesta etapa não ampliam o tempo de propaganda dos candidatos no rádio e na televisão. As campanhas buscam conquistar os eleitores que votaram em concorrentes que ficaram fora do segundo turno.
Além de Cury, Flávio recebeu apoio da federação formada por União Brasil e PP, do Republicanos, do Novo e do Podemos. Segundo o Estadão, 17 diretórios estaduais do MDB também decidiram apoiar o senador, em um movimento impulsionado pelo governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.
PSD e PSDB liberaram suas bases para escolher quem apoiar na disputa presidencial. Entre os candidatos que participaram do primeiro turno, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Clariana Barão (DC), além de Cury, declararam apoio a Flávio. Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU) e Edmílson Costa (PCB) anunciaram apoio a Lula.
Renan Santos (Missão) liberou seus apoiadores para votar em quem desejarem. Wilson Grassi (Democrata) ainda não havia anunciado posicionamento nas informações divulgadas.