A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma ação contra a chapa de Flávio Bolsonaro (PL) por suposto abuso de poder econômico durante a Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo. O pedido inclui a cassação do registro da candidatura e a declaração de inelegibilidade por oito anos.
O episódio ocorreu em 22 de agosto, durante o intervalo entre apresentações no Palco Estádio, diante de público estimado em 60 mil pessoas. O governador Tarcísio de Freitas subiu ao palco, discursou e chamou Flávio, apresentado como herdeiro do projeto político representado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Flávio declarou-se futuro presidente da República e prometeu defender o agronegócio e as famílias. Segundo a ação, o locutor Cuiabano Lima conduziu a apresentação, enquanto a estrutura do evento utilizou iluminação verde e amarela, apagão programado e celulares acesos na plateia. O candidato teria sido anunciado como representante do público na disputa presidencial.
A coligação de Lula sustenta que não houve uma manifestação espontânea, mas um ato previamente coordenado com uso profissional de som, iluminação e apresentação. A estrutura, financiada por grandes marcas e apoiada por órgãos públicos, teria oferecido uma vantagem eleitoral equivalente a uma doação empresarial indireta, proibida pela legislação.
A defesa de Flávio negou irregularidades. Informou que ele compareceu como convidado, falou durante um minuto e dez segundos e deixou o local em seguida. Acrescentou que os demais candidatos foram convidados nas mesmas condições e que Lula recebeu convite pessoal, mas não compareceu.
Caberá ao TSE avaliar se o episódio configurou propaganda irregular ou abuso com gravidade suficiente para atingir o registro da chapa.
A ação foi publicada na edição desta terça-feira 1º do jornal O Correio de Hoje.