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Redes sociais

Meta aceita limite de duas horas e bloqueio noturno para adolescentes em acordo que pode chegar a US$ 17,1 bilhões

Menores deixam de ver curtidas por padrão e poderão escolher um feed sem recomendação algorítmica
Agora RN
01/09/2026 | 16:07

Para um adolescente, chegar ao limite diário de Facebook e Instagram passará a significar encontrar uma porta fechada. Um acordo bilionário firmado pela Meta com autoridades americanas estabelece novas barreiras ao uso das plataformas por menores de 18 anos e coloca no centro da discussão não apenas o conteúdo das redes sociais, mas a maneira como elas são construídas para disputar atenção.

O acordo multilateral pode chegar a US$ 17,1 bilhões e encerra acusações de dezenas de Estados e territórios americanos de que a empresa teria desenvolvido recursos capazes de provocar dependência entre jovens, mesmo conhecendo possíveis danos. A Meta não admitiu irregularidades.

Adolescente usando o celular com um aplicativo de rede social aberto na tela
Menores de 18 anos terão bloqueio de Feed, Stories, Explorar e Reels entre meia-noite e 6h nas plataformas da Meta. Foto: Acervo Agora RN

As mudanças serão aplicadas ao Facebook e ao Instagram nos Estados e territórios participantes, caso o acordo receba aprovação judicial. Entre elas está um limite padrão de duas horas diárias, somando o tempo gasto nas duas plataformas. O adolescente somente poderá desativar a restrição com autorização dos pais.

A madrugada também terá uma barreira: entre meia-noite e 6h, menores não poderão acessar recursos como Feed, Stories, Explorar e Reels. Durante o horário escolar, entre 8h e 15h, a maioria das notificações ficará silenciada. Haverá ainda avisos a cada 15 minutos de uso contínuo e quando o tempo diário alcançar 60 e 90 minutos.

Outra mudança mexe com uma das medidas mais visíveis de popularidade nas redes. Adolescentes deixarão de visualizar, por padrão, a quantidade de curtidas e reações em publicações próprias e de outras pessoas. Também poderão desativar a reprodução automática de conteúdo.

O acordo toca, mas não elimina, um mecanismo ainda mais poderoso: o algoritmo de recomendação. Adolescentes poderão escolher um feed não algorítmico como padrão, sem personalização baseada nos sistemas de recomendação, e os pais também poderão determinar essa configuração. A experiência personalizada, contudo, não será automaticamente substituída para todos os menores.

É nesse ponto que o debate deixa de ser apenas uma discussão sobre tempo de tela. Algoritmos de recomendação aprendem com o comportamento de cada usuário para decidir quais publicações têm maior probabilidade de mantê-lo interessado. Limitar a duas horas o acesso reduz a exposição, mas não responde sozinho ao que acontece com a atenção durante esse período.

Para crianças e adolescentes, essa dinâmica possui outra camada. Diferentemente da televisão, na qual o jovem ocupa principalmente o papel de espectador, as redes transformam o próprio usuário em parte do conteúdo: ele publica fotos e vídeos, acompanha reações, compara números e recebe novas recomendações a partir de suas interações. A combinação de exposição pessoal, comparação social e recomendação algorítmica ocorre justamente em uma fase da vida na qual a aprovação de outras pessoas pode ter peso elevado.

O acordo foi noticiado na edição desta terça-feira 1º do jornal O Correio de Hoje.