BUSCAR
BUSCAR
Qualidade de vida

Natal se firma entre capitais com melhor qualidade de vida do Nordeste

Capital potiguar alcança 66,82 pontos no IPS Brasil 2026, ocupa a segunda posição regional e supera a média nacional em indicadores ligados à informação, educação superior, meio ambiente e direitos individuais
Agora RN
12/09/2026 | 00:11

Natal alcançou a segunda melhor pontuação entre as capitais do Nordeste no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. Com 66,82 pontos em uma escala de zero a 100, a capital do Rio Grande do Norte ficou atrás apenas de João Pessoa, na Paraíba, e superou centros regionais como Recife, Fortaleza, Salvador, Maceió, Aracaju, São Luís e Teresina.

O resultado coloca Natal 3,42 pontos acima da média dos 5.570 municípios brasileiros, calculada em 63,40 pontos. Entre as capitais, a liderança nacional ficou com Curitiba, que obteve 71,29 pontos, seguida por Brasília, com 70,73, e São Paulo, com 70,64. Também aparecem à frente da capital potiguar Campo Grande, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Vista aérea de Natal, capital do Rio Grande do Norte
Natal registra a segunda melhor pontuação entre capitais nordestinas no IPS Brasil 2026 — José Aldenir

A distância entre Natal e Curitiba, primeira colocada entre as capitais, foi de 4,47 pontos. Na outra ponta, Natal ficou mais de oito pontos acima de Porto Velho, última colocada, com 58,59. Macapá, com 59,65, Maceió, com 61,96, e Salvador, com 62,18, também figuram entre os menores resultados das capitais.

A edição de 2026 do levantamento foi divulgada originalmente em maio e voltou ao debate público nesta quarta-feira, 10. O estudo utiliza 57 indicadores sociais e ambientais para medir a capacidade dos municípios de atender às necessidades básicas da população, proporcionar qualidade de vida e oferecer condições para que os moradores desenvolvam seu potencial.

Os indicadores são distribuídos em três dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades. Cada uma delas reúne quatro componentes, com dados sobre saúde, saneamento, habitação, segurança, educação, comunicação, meio ambiente, direitos e inclusão social. O IPS não considera diretamente variáveis econômicas como Produto Interno Bruto (PIB), renda ou volume de investimentos. O objetivo é verificar os resultados sociais e ambientais alcançados pelos municípios, independentemente do tamanho de suas economias. Dessa forma, duas cidades com níveis semelhantes de renda podem obter pontuações diferentes conforme a capacidade de transformar recursos em bem-estar.

Comunicação e ensino superior elevam nota

Entre os resultados mais favoráveis de Natal está o componente de Acesso à Informação e Comunicação, no qual a cidade alcançou 88,55 pontos. A nota ficou 8,74 pontos acima da média brasileira desse componente, de 79,81.

O indicador reúne informações relacionadas à disponibilidade de telefonia móvel e ao acesso da população aos meios digitais e de comunicação. A conectividade tem impacto não apenas social, mas também econômico, por facilitar o acesso a serviços públicos, atividades educacionais, oportunidades profissionais e negócios realizados em plataformas digitais.

Natal também alcançou 70,54 pontos no Acesso à Educação Superior. A pontuação supera com margem ampla a média brasileira desse componente, de 45,97. Entre os fatores considerados está a participação de mulheres com formação superior no mercado de trabalho.

O resultado reforça a posição de Natal como centro universitário e de serviços especializados no Rio Grande do Norte. A concentração de instituições de ensino e de profissionais qualificados amplia a disponibilidade de mão de obra para setores como saúde, educação, tecnologia, turismo, administração e serviços empresariais.

Em Qualidade do Meio Ambiente, Natal obteve 68,24 pontos. A condição litorânea, a presença de áreas verdes e a qualidade ambiental entram na avaliação, embora o crescimento urbano imponha necessidades permanentes de fiscalização, preservação, saneamento e ordenamento territorial.

A capital potiguar marcou ainda 59,94 pontos em Direitos Individuais. O componente considera condições de acesso à Justiça, ações de proteção aos direitos humanos e mecanismos que permitem a participação da população na vida pública.

Também contribuíram para a avaliação de Natal indicadores relacionados ao acesso à cultura, ao esporte e ao lazer. Esses serviços integram uma dimensão mais ampla de qualidade de vida e podem influenciar a atratividade da cidade para novos moradores, profissionais e investimentos.

Prefeitura relaciona resultado a serviços

O prefeito Paulinho Freire atribuiu o desempenho às ações realizadas pela administração municipal. “Estar entre as capitais com melhor desempenho no Nordeste nos motiva a continuar trabalhando para que a cidade avance cada vez mais”, afirmou.

“Esse resultado mostra que Natal está avançando e que os investimentos e as ações da gestão estão fazendo a diferença na vida da população. Temos trabalhado para melhorar os serviços públicos e ampliar as oportunidades, com atenção especial às áreas como saúde, educação, meio ambiente, inclusão social, cultura, esporte e lazer”, acrescentou o prefeito.

A metodologia do IPS, entretanto, não permite atribuir a pontuação exclusivamente a uma gestão ou a investimentos recentes. O levantamento combina informações de diferentes bases públicas e períodos de referência. Os resultados refletem políticas acumuladas, características territoriais, atuação de diferentes níveis de governo e condições sociais construídas ao longo do tempo.

O próprio estudo ressalta que o indicador mede resultados, e não a quantidade de dinheiro investida ou de equipamentos disponíveis. Segundo a coordenação do IPS Brasil, a intenção é verificar se a infraestrutura e os recursos públicos chegam efetivamente à população.

Apesar da posição favorável de Natal no Nordeste, o desempenho não elimina carências urbanas. O relatório aponta que todas as capitais brasileiras enfrentam problemas no componente de Inclusão Social, sobretudo em razão da violência contra grupos minoritários, da presença de famílias em situação de rua e da baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais.

No Brasil, a dimensão Oportunidades apresentou a menor média entre as três áreas do índice, com 46,82 pontos. Necessidades Humanas Básicas obteve 74,58, enquanto Fundamentos do Bem-estar ficou com 68,81.