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Conflito

No limbo, Israel teme acordo entre EUA e Irã

Autoridades israelenses avaliam que eventual negociação entre Washington e Teerã pode deixar de fora temas considerados essenciais para a segurança do país
Por O Correio de Hoje
17/07/2026 | 13:46

A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã colocou Israel em uma posição de expectativa estratégica. Embora o país permaneça em estado de alerta e envolvido em operações militares no Líbano e na Faixa de Gaza, autoridades e especialistas israelenses avaliam que o maior risco, neste momento, não é apenas uma nova escalada militar, mas a possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã que deixe de contemplar preocupações consideradas centrais para a segurança israelense.

Após o cessar-fogo firmado entre Israel e Irã no início do ano, a retomada dos ataques americanos contra alvos iranianos e as represálias de Teerã recolocaram a região em um cenário de instabilidade. Em Israel, porém, o sentimento predominante é de incerteza. Civis temem tanto uma nova guerra quanto as consequências de um entendimento diplomático que preserve capacidades militares iranianas consideradas estratégicas.

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Enquanto Washington amplia a pressão militar e mantém negociações - Foto: reprodução / internet

Pesquisas de opinião mostram que os israelenses se sentem hoje menos seguros do que antes do conflito iniciado em fevereiro. Além das preocupações com novos ataques de mísseis, militares e integrantes do governo afirmam não haver clareza sobre qual cenário deve orientar o planejamento das Forças Armadas.

Parte dessa apreensão decorre da diferença de prioridades entre Israel e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Enquanto Washington afirma que seu objetivo imediato é restabelecer a segurança da navegação no Estreito de Ormuz e utilizar a pressão militar para levar o Irã novamente à mesa de negociações, autoridades israelenses defendem uma estratégia mais ampla de contenção do poder militar iraniano.

Na avaliação de integrantes do governo israelense, o memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã em junho deixou de fora temas considerados fundamentais para a segurança de Israel, como o programa de mísseis balísticos iraniano e o apoio de Teerã a grupos armados aliados em diferentes países do Oriente Médio.

Outro ponto de preocupação é a previsão de liberação de recursos financeiros ao Irã, que, segundo autoridades israelenses, poderiam fortalecer essas organizações e ampliar a capacidade militar da República Islâmica.

Jacob Nagel, ex-conselheiro de segurança nacional do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e atualmente pesquisador da Fundação para a Defesa das Democracias, afirma que um acordo considerado insuficiente seria pior do que a ausência de negociações.

“Se me perguntar, não negociar é melhor do que manter negociações ruins.”

Na mesma linha, Shira Efron, pesquisadora da Rand Corporation, afirma que o principal temor de Israel é perder liberdade para agir militarmente caso um acordo imponha restrições à atuação israelense.

“Um acordo que amarre as mãos de Israel e evite a liberdade de ação é o que Israel mais teme. O Irã ameaça Israel de uma forma como não o faz com os EUA.”

Dentro do establishment de segurança israelense, parte dos analistas considera que uma retomada do conflito poderia oferecer melhores condições para neutralizar capacidades militares iranianas que permaneceram intactas após os confrontos anteriores. A expressão “Termine o Trabalho” passou a circular entre militares e políticos desde o cessar-fogo de abril, em referência à possibilidade de ampliar os ataques contra instalações estratégicas iranianas.

Apesar disso, há divergências sobre o alcance dessa estratégia. Raz Zimmt, diretor do programa sobre o Irã no Instituto para Estudos de Segurança Nacional, avalia que uma ofensiva limitada dificilmente resolveria a questão nuclear iraniana.

Segundo ele, apenas uma operação muito mais ampla, com participação direta dos Estados Unidos em ações terrestres para controlar estoques de urânio enriquecido, poderia alterar significativamente o programa nuclear de Teerã — hipótese considerada improvável no atual cenário.

Enquanto o debate se intensifica, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu evita defender publicamente a retomada da guerra. Analistas interpretam essa postura como uma tentativa de evitar a percepção internacional de que Israel esteja pressionando Washington por uma escalada do conflito, ao mesmo tempo em que mantém abertas as opções estratégicas diante da evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã.