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Mundo

UE amplia apoio militarà Ucrânia

Parceria une capacidade industrial europeia à experiência ucraniana em combate e reforça estratégia de apoio militar a Kiev
Por O Correio de Hoje
17/07/2026 | 13:49

A União Europeia deu mais um passo para ampliar seu apoio militar à Ucrânia ao anunciar um acordo de cooperação para a produção conjunta de drones, tecnologia que se consolidou como um dos principais instrumentos do conflito contra a Rússia. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante visita a Kiev por ocasião do Dia da Soberania da Ucrânia.

O entendimento prevê a integração da capacidade industrial europeia à experiência adquirida pela Ucrânia no desenvolvimento e emprego de drones em operações de combate. A iniciativa ocorre em um momento em que Kiev busca ampliar sua produção militar e fortalecer o apoio financeiro e estratégico dos aliados ocidentais.

UE e Ucrânia Copia
Ursula von der Leyer e o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, em cerimônia - Foto: reprodução / internet

“Este acordo reunirá a engenhosidade ucraniana e a escala industrial da Europa. Já temos capacidade tecnológica e industrial que pode ser mobilizada, além de locais de produção seguros que podem ajudar a ampliar a escala. Mas não temos o conhecimento e a experiência testados em combate que a Ucrânia adquiriu”, afirmou Von der Leyen.

Segundo a dirigente europeia, o projeto permitirá acelerar investimentos e ampliar a capacidade produtiva das indústrias de defesa dos dois lados. Ela acrescentou que novas medidas serão anunciadas para reforçar a proteção da infraestrutura energética ucraniana antes do inverno, período em que a Rússia costuma intensificar ataques contra redes de eletricidade e aquecimento.

A parceria amplia uma estratégia que a Ucrânia já desenvolve com países europeus e do Oriente Médio interessados em incorporar tecnologias militares aperfeiçoadas durante mais de quatro anos de guerra. Em geral, esses acordos envolvem a transferência de projetos de drones desenvolvidos por empresas ucranianas em troca de investimentos, royalties e fornecimento de equipamentos militares.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo da União Europeia para fortalecer sua indústria de defesa diante do aumento das tensões no continente. Recentemente, o bloco aprovou um pacote de empréstimos de € 90 bilhões destinado à Ucrânia para financiar despesas militares e orçamentárias. Uma primeira parcela de € 6 bilhões será direcionada especificamente ao aumento da produção de drones.

“O conhecimento que vocês adquiriram sobre como operar sistemas de drones e de combate a drones é realmente único. Precisamos aproveitar isso juntos, porque conhecemos as ameaças que a Europa enfrenta nessa área”, declarou Von der Leyen durante encontro com o presidente Volodimir Zelensky.

A visita ocorreu enquanto autoridades ucranianas afirmam ter ampliado significativamente a capacidade de produção de equipamentos militares. Segundo Zelensky, o país atualmente fabrica cerca de 10 milhões de drones por ano e pretende dobrar esse volume, consolidando um dos maiores programas mundiais de produção dessa tecnologia.

Nas redes sociais, Von der Leyen afirmou que a Ucrânia vive um momento de fortalecimento de sua capacidade militar.

“É um momento especial. A Ucrânia construiu um forte impulso militar. A maré está virando.”

Além da cooperação industrial, líderes do sudeste europeu reuniram-se em Kiev para discutir a segurança do Mar Negro, região considerada estratégica tanto para o transporte de grãos quanto para operações militares. O encontro ocorre em um momento de reorganização política do governo ucraniano e de renovação das promessas de apoio feitas por países do Grupo dos Sete (G7) e pela chamada Coalizão dos Dispostos.

No campo diplomático, a União Europeia também decidiu prorrogar até março de 2028 o mecanismo de proteção temporária concedido aos refugiados ucranianos. O regime permite que mais de 4,4 milhões de cidadãos da Ucrânia permaneçam legalmente no bloco, com direito à residência, trabalho e acesso a serviços públicos. Alemanha, Polônia e República Tcheca concentram a maior parte desses refugiados.

Enquanto isso, os combates permanecem intensos. Autoridades ucranianas informaram que ataques russos mataram ao menos nove civis e deixaram 13 feridos em diferentes regiões do país. Bombas planadoras atingiram a região de Sumy, enquanto drones e mísseis provocaram mortes em Odessa, Chernihiv e Zaporizhzhia.

A Rússia, por sua vez, informou ter interceptado durante a madrugada 93 drones ucranianos lançados contra diferentes regiões do país, além da Crimeia e das áreas do Mar de Azov e do Mar Negro. Segundo dados das Nações Unidas, junho de 2026 foi o mês com maior número de vítimas civis na Ucrânia desde abril de 2022, refletindo a intensificação dos ataques de ambos os lados.