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Internacional

Empresas brasileiras são sancionadas

Departamento do Tesouro dos EUA acusa grupo de lavar dinheiro do tráfico por meio do sistema financeiro americano
Por O Correio de Hoje
02/07/2026 | 16:05

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira 1º, a aplicação de sanções contra três empresas com sede no Brasil, dois brasileiros e uma companhia em Portugal por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Departamento do Tesouro americano, o grupo integra uma estrutura utilizada para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas por meio do sistema financeiro dos EUA.

A medida foi divulgada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), que passou a classificar o PCC como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, com atuação que se estende a países como Reino Unido, Turquia e Japão.

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Medidas foram determinadas pela gestão do presidente Donald Trump (EUA) - Foto: Instagram / Reprodução

Entre os alvos das sanções, está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelas autoridades americanas como responsável pelo núcleo paulista da rede e pela ligação entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais. De acordo com o Tesouro, ele teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos de origem ilícita, utilizando criptomoedas para transferir valores obtidos em diferentes cidades dos Estados Unidos para o Brasil.

Também foi incluída na lista de sancionados Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como colaboradora próxima de Shimada.

As sanções alcançam ainda as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. Com a decisão, todos os bens e interesses dessas pessoas e empresas que estejam sob jurisdição americana ficam bloqueados, enquanto cidadãos e companhias dos Estados Unidos passam a ser proibidos de realizar transações com os sancionados.

Embora o comunicado não cite nominalmente o Corinthians, a empresa de Shimada aparece nas investigações do caso “Vai de Bet”, que apura um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio do clube paulista de futebol. Segundo denúncia do Ministério Público paulista, a Victory Trading foi a última empresa pela qual passaram recursos antes do repasse à UJ Football, também investigada no caso.

O Departamento do Tesouro informou ainda que Shimada chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil, em janeiro de 2025, sob a acusação de que a Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol em um esquema de fraude envolvendo publicidade.

Segundo o Ofac, esta é a terceira rodada de sanções impostas contra o PCC desde 2021. O órgão afirma que a facção representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos em razão de sua atuação em crimes como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando de dinheiro em espécie.

Horas depois da decisão do governo americano, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que a medida produz efeitos apenas no território americano.

O auxiliar do presidente Lula também defendeu que a cooperação internacional no combate ao crime organizado ocorra com respeito à soberania brasileira.

“Essa designação específica somente produz efeito no âmbito dos Estados Unidos, não tem nenhuma repercussão de extraterritorialidade. Todas as nações devem aprofundar e sofisticar seus mecanismos de combate ao crime organizado, desde que a soberania do outro país seja respeitada”, afirmou o ministro, durante a inauguração do Escritório Nacional Antifacção (ENA), em São Paulo.

Ainda segundo ele, o País continuará aperfeiçoando os mecanismos de cooperação policial e judicial internacional e destacou que parte das informações utilizadas pelos Estados Unidos foi produzida no próprio Brasil.

“O que não se pode transigir é com nenhuma ranhura da soberania. Fora disso, o Brasil continuará aperfeiçoando seus mecanismos de cooperação policial internacional e também de cooperação judicial”, declarou.