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Economia

PIB do RN deve crescer abaixo da média nacional até 2026, aponta levantamento

Desempenho moderado é sustentado por serviços, enquanto indústria e agropecuária pressionam resultado; geração de empregos desacelera após pico em 2024
Por O Correio de Hoje
13/04/2026 | 11:54

O Produto Interno Bruto do Rio Grande do Norte deve registrar crescimento de 1% em 2025 e de 1,6% em 2026, segundo estimativas do Banco do Brasil compiladas em levantamento da Fecomércio-RN. As projeções indicam desempenho inferior às médias nacional e regional em ambos os anos, refletindo um ritmo mais lento de expansão da economia estadual.

Para 2025, a estimativa posiciona o estado como o nono pior desempenho do país e o sexto no ranking do Nordeste. A média nacional projetada é de 2,3%, enquanto a regional deve atingir 1,4%. Em 2026, o Rio Grande do Norte mantém a mesma colocação no cenário nacional, mas recua para a segunda pior projeção entre os estados nordestinos, em um contexto em que o Brasil deve crescer 2,0% e o Nordeste, 2,4%.

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PIB do RN deve crescer abaixo da média nacional, aponta Fecomércio - Foto: Reprodução IA

A análise setorial revela um cenário de contrastes. A indústria deve registrar retração de 7,9% em 2025, com recuo mais moderado de 1,0% em 2026. Já a agropecuária apresenta expansão de 5,4% em 2025, seguida por queda de 9,7% no ano seguinte, evidenciando forte volatilidade. Em contrapartida, o setor de comércio e serviços — principal componente da economia estadual — deve crescer 2,3% em 2025 e 2,6% em 2026, sustentando o resultado agregado.

A relevância do segmento de serviços no cálculo do PIB explica a manutenção de crescimento, mesmo diante de desempenhos negativos em outros setores. Em 2023, por exemplo, a composição da economia potiguar foi liderada por serviços (72,4%), seguida pela indústria (23,4%) e pela agropecuária (4,2%).

No mercado de trabalho, o levantamento aponta que o estado mantém saldo positivo de empregos formais desde o período pós-pandemia. Após registrar fechamento líquido de 3.146 vagas em 2020, o Rio Grande do Norte apresentou recuperação em 2021, com saldo de 32.692 postos. Entre 2021 e 2025, o acumulado chega a 123,1 mil empregos formais, conforme dados do Novo Caged.

Apesar disso, há sinais de desaceleração. Em 2025, o saldo positivo de 15.705 vagas ficou abaixo do registrado em 2024, quando o estado atingiu recorde de 34.156 empregos. No recorte regional, o desempenho potiguar superou apenas Sergipe, que registrou cerca de 15,6 mil vagas no mesmo período.

Já no início de 2026, o saldo é negativo em 940 postos de trabalho entre janeiro e fevereiro, movimento atribuído por especialistas à sazonalidade da atividade agropecuária.

Segundo o economista William Figueiredo, da Fecomércio-RN, o ritmo de geração de empregos ainda é insuficiente para impulsionar um crescimento mais robusto. “O estado gerou menos emprego do que, por exemplo, Piauí, Paraíba e Maranhão. O reflexo disso está na projeção da estimativa do Banco do Brasil, de crescimento menor do que a média do Nordeste e a média brasileira do ano passado”, afirma.

O conjunto de indicadores sugere que, embora o estado mantenha trajetória de crescimento, o avanço segue condicionado à recuperação de setores-chave e ao fortalecimento do mercado de trabalho, em um cenário de desempenho abaixo dos pares regionais e nacionais.