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Aviação

Petrobras propõe parcelamento de reajuste do querosene de aviação

Novo modelo permite pagamento inicial menor e adia parte do aumento previsto em contrato
Por O Correio de Hoje
02/04/2026 | 13:25

A Petrobras decidiu alterar a forma de cobrança do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, em uma tentativa de reduzir os efeitos imediatos do reajuste sobre o setor aéreo. A estatal informou que disponibilizará ao mercado, até a próxima segunda-feira, um termo de adesão com novas condições de pagamento, válido a partir desta data.

Pelo novo modelo, as distribuidoras que atendem a aviação comercial poderão pagar um reajuste de 18% no mês de abril, percentual inferior ao aumento de 54,8% previsto em contrato. A diferença será parcelada em seis vezes, com início dos pagamentos a partir de julho de 2026, funcionando, na prática, como uma espécie de crédito concedido pela empresa.

Avião Zurich Airport
Proposta inclui flexibilização temporária na metodologia de cálculo dos preços - Foto: Zurich Airport / Reprodução

“Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado”, afirmou a Petrobras em nota. A companhia acrescentou que “o mecanismo de parcelamento que reduz os efeitos dos reajustes poderá ser ofertado em maio e junho, com parâmetros ainda a serem calculados”.

De acordo com fontes próximas às discussões, a proposta inclui uma flexibilização temporária na metodologia de cálculo dos preços. Atualmente baseada em média mensal, a referência poderá passar a ser trimestral, de forma opcional. A intenção é garantir que o benefício seja efetivamente repassado às companhias aéreas, sem gerar ganhos adicionais para distribuidoras.

Técnicos do governo que acompanham o tema afirmam que a iniciativa está alinhada à preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio, sobre os preços dos combustíveis no país. A Petrobras, por exemplo, ainda depende de importações para cerca de 25% do diesel consumido internamente.

As pastas da Fazenda e de Portos e Aeroportos vêm discutindo alternativas com a estatal para amenizar os impactos sobre o setor aéreo. Ao mesmo tempo, há cautela para que as medidas não transfiram prejuízos à companhia, que possui ações negociadas em bolsa.

Com a mudança na forma de cálculo, o reajuste originalmente estimado em até 56,3% poderia ser reduzido para patamares inferiores a 20%, segundo avaliações preliminares. Ainda assim, integrantes do governo afirmam que a Petrobras deverá compensar ao longo do tempo as perdas decorrentes da flexibilização, de modo a preservar os interesses dos acionistas.

Outro ponto levantado por técnicos é a necessidade de reforçar a fiscalização sobre preços praticados por distribuidoras e postos, evitando que eventuais aumentos cheguem ao consumidor final e neutralizem o efeito das medidas adotadas.

Apesar das críticas frequentes do setor aéreo em relação ao custo do QAV, a Petrobras sustenta que utiliza há cerca de duas décadas uma fórmula paramétrica que considera a média de preços do mês anterior, o que já suaviza oscilações mais abruptas.