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Fraudes

Fraudes financeiras avançam no País

Levantamento da Quod aponta alta de 10,26% nos registros, com golpes concentrados no ambiente digital e uso predominante do Pix
Por O Correio de Hoje
21/07/2026 | 17:13

O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil ultrapassou 9 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025, quando foram registrados 8,26 milhões de casos. Os dados são da Quod, empresa especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, e incluem tanto tentativas quanto fraudes consumadas.

Segundo a companhia, o crescimento está associado principalmente ao fortalecimento dos mecanismos de monitoramento após a entrada em vigor da Resolução nº 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras.

fraude financeira
Levantamento da Quod aponta mais de 9 milhões de indícios de golpes só no 1º semestre via Pix e celular - Foto: reprodução / internet

Compartilhamento ampliou detecção

O levantamento foi elaborado com base no Registro Unificado de Fraudes (Rufra), plataforma colaborativa criada pela Quod para consolidar informações sobre ocorrências suspeitas e confirmadas compartilhadas por bancos e empresas.

A base reúne dados para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e bloquear preventivamente operações consideradas suspeitas.

Segundo o diretor de Produtos e Dados da Quod, Danilo Coelho, o aumento dos registros não significa, necessariamente, crescimento da atividade criminosa.

“O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema.”

Celular e Pix concentram ocorrências

O ambiente digital concentrou a maior parte dos registros.

O celular foi utilizado em 78% dos casos, enquanto 94% das ocorrências envolveram contas correntes. O Pix apareceu em 85% dos registros como meio de movimentação dos recursos.

A engenharia social permaneceu como a principal modalidade de fraude, respondendo por 40% dos indícios — mais de 3,6 milhões de ocorrências.

Nesse tipo de golpe, criminosos manipulam psicologicamente as vítimas para obter dados pessoais ou convencê-las a realizar transferências bancárias.

Jovens são maioria entre as vítimas

O estudo aponta que 3,1 milhões de brasileiros foram vítimas de fraudes financeiras entre janeiro e junho deste ano.

Desse total, aproximadamente 799 mil sofreram golpes duas ou mais vezes.

Pessoas entre 18 e 34 anos concentraram 49,06% dos casos, seguidas pela faixa de 35 a 49 anos, com 29,98%.

A maioria das vítimas possui renda de até dois salários mínimos.

Recomendações

Diante do aumento das ocorrências, a Quod recomenda que consumidores reforcem os cuidados ao realizar operações financeiras pelo celular, evitem acessar links enviados por mensagens e nunca utilizem contas bancárias para movimentar recursos de terceiros.

Segundo a empresa, essa prática costuma estar associada ao uso das chamadas “contas laranja”, frequentemente empregadas por organizações criminosas para ocultar a origem e o destino de recursos obtidos por meio de fraudes.