A economia brasileira voltou a crescer em maio, após dois meses de desempenho mais fraco, mas os indicadores de médio prazo continuam apontando perda de dinamismo. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,7% na comparação com abril, segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta segunda-feira 20 pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).
No trimestre móvel encerrado em maio, a atividade econômica registrou expansão de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025. Já o acumulado em 12 meses desacelerou para 1,7%, abaixo dos 3% observados em março e dos 3,8% registrados um ano antes.

Consumo das famílias impulsiona atividade
O principal fator de sustentação da economia foi o consumo das famílias, que cresceu 3,3% no trimestre móvel e atingiu o maior nível desde o fim de 2024.
Mais de 60% desse avanço foi explicado pelo aumento do consumo de serviços e de bens duráveis.
Segundo a coordenadora do levantamento, Juliana Trece, esse componente foi decisivo para o resultado positivo da atividade econômica, embora outros setores apresentem sinais de perda de ritmo.
“O crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano”, afirmou.
Exportações desaceleram e investimentos avançam
Os demais indicadores apontam um cenário de expansão moderada.
As exportações cresceram 4,3% no trimestre móvel, o menor ritmo desde o segundo trimestre de 2025, refletindo principalmente a desaceleração da indústria extrativa mineral.
As importações avançaram 8,9%, registrando o terceiro trimestre móvel consecutivo de crescimento.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção, aumentou 2%, na segunda alta consecutiva após quatro trimestres de retração.
A taxa de investimento foi estimada em 18,6% do PIB em maio, a segunda maior registrada no ano.
PIB oficial será divulgado em setembro
O Monitor do PIB estima que a economia brasileira movimentou R$ 5,466 trilhões em valores correntes até maio.
O levantamento reforça a leitura apresentada pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apontou crescimento de 0,1% em maio e de 1,4% no acumulado de 12 meses.
O resultado oficial do Produto Interno Bruto será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1º de setembro.
Para 2026, o mercado financeiro projeta crescimento de 1,99%, segundo o boletim Focus, enquanto o Ministério da Fazenda mantém expectativa de expansão de 2,3%.