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Pecuária

Mastite reduz produção de leite e pressiona margem das propriedades, alerta especialista

Professor da USP discutiu perdas de produtividade e despesas na Festa do Boi; monitoramento do rebanho ajuda a dimensionar impactos sobre a renda do produtor
Agora RN
21/10/2026 | 15:07

A mastite pode reduzir de um a três litros a produção diária de leite por vaca e pressionar a rentabilidade das propriedades, segundo o médico-veterinário e professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Veiga dos Santos. O impacto econômico da doença foi tema de palestra em 17 de outubro, na programação do Sebrae na Festa do Boi, em Parnamirim.

Além do volume que deixa de ser produzido, entram na conta despesas com tratamento, descarte do leite e perda de remuneração por qualidade. A estimativa apresentada pelo especialista depende das condições de cada rebanho e não corresponde a uma medição das perdas de toda a pecuária potiguar.

Professor de camisa clara fala ao microfone diante de participantes da palestra na Festa do Boi
Professor Marcos Veiga dos Santos apresenta palestra sobre os impactos da mastite na Festa do Boi — Foto: Isaac Silva/Sebrae-RN

Prejuízo pode passar despercebido

A forma subclínica não apresenta alterações visíveis no leite e pode dificultar a percepção do problema. Na palestra, o professor destacou o acompanhamento da contagem de células somáticas (CCS), o registro dos casos clínicos e a identificação dos animais afetados como informações para orientar decisões.

O monitoramento permite avaliar a situação da propriedade e direcionar o manejo. A orientação apresentada foi acompanhar os indicadores mensalmente, com atenção tanto ao leite do tanque quanto aos animais individualmente.

Despesas e perda de receita são contas diferentes

Uma revisão científica publicada em 2023 no Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, com participação de pesquisadores da USP e de outras instituições, distingue o desembolso provocado pela doença da receita que a fazenda deixa de obter.

O primeiro reúne despesas adicionais, como medicamentos e descarte. A segunda dimensão envolve o potencial de produção não alcançado e a perda de bonificações por qualidade. Olhar apenas o dinheiro gasto diretamente no tratamento pode deixar parte do prejuízo fora do cálculo.

Os autores ressaltam que os efeitos variam conforme o agente causador, o estágio da lactação e o número de partos. A análise desses fatores ajuda a explicar por que uma mesma estimativa não deve ser aplicada indistintamente a todas as vacas ou propriedades.

A revisão também destaca a importância de identificar os microrganismos envolvidos e considerar as características do rebanho ao definir estratégias de controle. O monitoramento gera informação para a gestão, sem substituir a avaliação técnica de cada caso.

Qualidade também interessa à indústria

No RN, a relação entre composição do leite e desempenho produtivo ganhou espaço no torneio leiteiro da Festa do Boi. Como mostrou o Agora RN, a competição passou a incluir análises de qualidade e composição, além da quantidade produzida.

Entre os indicadores estavam gordura, proteína, caseína, sólidos totais e contagem de células somáticas. As amostras foram encaminhadas ao Laboratório de Qualidade do Leite da UFRN. A iniciativa envolveu 33 animais das raças Sindi, Guzerá e Sindolando.

A composição da matéria-prima influencia o aproveitamento industrial, inclusive na fabricação de derivados. Por isso, avaliar somente os litros entregues deixa de fora uma dimensão relevante da eficiência da cadeia leiteira.

Gestão exige dados da própria fazenda

O custo econômico da mastite não pode ser calculado apenas multiplicando uma perda média de litros pelo tamanho do rebanho. A receita depende também do preço recebido, dos critérios do comprador, da duração do problema e dos gastos associados.

Para a propriedade, reunir registros de produção e qualidade com as despesas da atividade permite examinar onde a margem está sendo pressionada. As fontes consultadas não apresentam um valor atualizado do prejuízo causado pela mastite no conjunto das fazendas do RN.

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