O número de empresas inadimplentes no Brasil atingiu o recorde de 9,3 milhões em agosto de 2026, crescimento de 14,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento da Serasa Experian. O volume de dívidas em atraso alcançou R$ 244,4 bilhões, distribuídos em 68,2 milhões de operações. Em média, cada empresa negativada acumulava 7,4 contas não pagas, com dívida de R$ 26.355,13 por CNPJ e valor médio de R$ 3.583,96 por débito. O resultado reflete a pressão dos juros elevados sobre o caixa das empresas e as dificuldades para manter os pagamentos em dia.
As micro e pequenas empresas concentraram 8,8 milhões dos CNPJs inadimplentes, com dívidas que somavam R$ 211 bilhões em 61,4 milhões de operações. O setor de serviços respondeu por 56% das empresas negativadas, seguido pelo comércio, com 32%, e pela indústria, com 8%. “A inadimplência empresarial cresce em ritmo menor, mas ainda muito elevado: a variação anual recuou de 28,7% para 14,3%, permanecendo em dois dígitos”, afirmou a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack. Segundo ela, “o crédito continua caro, o caixa permanece pressionado e o ambiente segue especialmente restritivo para os negócios de menor porte”.

Apesar do avanço da inadimplência, a procura das empresas por crédito cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses, enquanto as concessões de capital de giro aumentaram 113,9%. Para Abdelmalack, a expansão indica maior necessidade de recursos para sustentar as atividades empresariais. “Em um contexto de inadimplência recorde, esse movimento parece estar mais associado à necessidade de financiar o caixa e manter a operação do que à redução do endividamento ou à expansão dos negócios”, analisou. Do total de débitos negativados, 31,7% tinham origem no setor de serviços, 19,7% em bancos e cartões, 8,5% em cooperativas, 6,7% em serviços básicos e 6,2% em telefonia.