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Energia

RN tem nove projetos de baterias para reduzir cortes de energia

Empreendimentos estão em fase de licenciamento ambiental no Idema; sistemas de armazenamento podem reduzir perdas na geração renovável e abrir mercado para novos investimentos no Estado
Agora RN
23/10/2026 | 00:30

O Rio Grande do Norte tem nove empreendimentos em processo de licenciamento ambiental para instalação de sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla Bess. A tecnologia surge como alternativa para reduzir os cortes de geração de energia eólica e solar, problema que tem provocado perdas financeiras para empresas do setor e limitado o aproveitamento da capacidade instalada no Estado. O avanço dos projetos ocorre em meio à discussão sobre novas formas de armazenamento e comercialização de eletricidade no mercado brasileiro.

Os pedidos estão sob análise do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema). Segundo o órgão, a maioria está vinculada a empreendimentos de geração renovável já existentes. A instalação das baterias permitirá armazenar parte da energia produzida em horários de menor consumo ou de restrição operacional e disponibilizá-la posteriormente, conforme as condições do sistema elétrico.

Modelo de bateria BESS em contêiner entre painéis solares e aerogeradores
Modelo de armazenamento de energias limpas eólica e solar por meio de bateria em forma de contêiner — Foto: Reprodução/Internet

O tema integra a programação da 7ª edição do Energy Storage Brasil, realizada na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), em Natal, com atividades até esta sexta-feira, 23. O encontro reúne empresários, investidores, pesquisadores e representantes do poder público para discutir o desenvolvimento do mercado de armazenamento e sua relação com a expansão das fontes renováveis.

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De acordo com o Idema, o prazo para emissão das licenças varia conforme as características de cada empreendimento. “Depois que o processo é iniciado, o empreendedor recebe um Termo de Referência com um prazo de 120 dias para apresentar documentos e estudos ambientais necessários”, informou o instituto.

A análise técnica começa após a entrega da documentação. “Após isso, o Idema vai analisar se os estudos atendem aos requisitos exigidos ou se serão solicitadas providências”, acrescentou o órgão. Caso sejam identificadas informações insuficientes, os responsáveis deverão complementar os estudos.

A secretária-adjunta de Desenvolvimento Econômico do Estado, Emília Casanova, explica que os sistemas podem apresentar dimensões semelhantes às de caixas eletrônicos ou ocupar estruturas do tamanho de contêineres. A configuração depende da potência, da capacidade de armazenamento e da finalidade de cada instalação.

“Tudo vai depender da potência dessa bateria, que varia de acordo com cada projeto. Elas servem para armazenar a geração de energia excedente que pode ser despachada em um momento de pico e até mesmo vendida como energia extra para o mercado livre”, afirmou.

O mercado livre permite que consumidores habilitados negociem diretamente a compra de eletricidade com geradores ou comercializadores, diferentemente do ambiente regulado, no qual o fornecimento segue regras tarifárias estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Para Emília Casanova, o aumento do interesse pelos projetos está relacionado à Resolução nº 01/2026 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conema), aprovada em abril. A norma estabeleceu critérios para o licenciamento ambiental de sistemas BESS no Rio Grande do Norte.

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“Além do RN, apenas Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará e Piauí possuem legislação que permite aos empreendedores solicitarem licença para esse tipo de armazenamento”, afirmou a secretária-adjunta.

Segundo estimativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentadas durante as discussões, o uso de baterias poderá reduzir entre 40% e 50% os cortes de geração, dependendo da localização e das condições operacionais. A tecnologia, entretanto, não elimina a necessidade de investimentos na rede de transmissão.

Cortes de geração pressionam por investimentos

O avanço do armazenamento ocorre em meio às perdas provocadas pelas restrições de geração. Em outubro, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) registrou 568 manifestações de usinas potiguares interessadas em aderir ao mecanismo federal de ressarcimento por cortes de energia. São 347 empreendimentos eólicos e 221 solares, com compensações estimadas em R$ 780 milhões.

O problema também compromete novos investimentos. Dados da Aneel mostram que 112 projetos solares tiveram autorizações revogadas no RN entre 2025 e setembro de 2026, envolvendo 5,63 gigawatts de potência prevista. Entre os fatores associados estão as restrições de escoamento e o excesso de oferta.

No início de outubro, a Aneel aprovou novas regras para organizar os cortes obrigatórios de geração. A regulamentação estabelece critérios para a distribuição das restrições entre usinas e busca ampliar a previsibilidade das decisões operacionais.

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Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Armazenamento de Energia (Absae), Fábio Monteiro, o desenvolvimento desse mercado poderá melhorar o aproveitamento da infraestrutura elétrica. “O armazenamento viabiliza a retomada do crescimento das renováveis, equilibra nosso sistema elétrico, reduz custos para o consumidor e otimiza o uso da rede de transmissões”, afirmou.

A perspectiva de contratação de baterias também depende dos leilões federais previstos para dezembro. Segundo o ONS, o resultado desses certames será determinante para a contribuição efetiva da tecnologia na redução dos cortes de geração.

Data centers ampliam demanda por energia limpa

Além das baterias, o Rio Grande do Norte busca atrair investimentos em centros de processamento de dados. Segundo o Idema, três data centers de pequeno porte, com capacidade de até 40 megawatts, já receberam licenciamento ambiental. Um deles está em operação em Currais Novos, associado a um empreendimento de energia renovável. Não há pedidos registrados para instalações acima dessa capacidade.

O assunto integra a DC Conference – International Data Center Conference, programada para sexta-feira, 23. A expansão desses empreendimentos poderá criar novas oportunidades para fornecedores de eletricidade, equipamentos e serviços tecnológicos, embora dependa da disponibilidade de infraestrutura e de contratos de fornecimento.

Para o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, a definição de regras ambientais pode contribuir para atrair empresas. “É um momento para discutir as tecnologias e debater como as empresas podem aportar por aqui”, declarou.

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O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RN), Roberto Wagner, também defendeu a previsibilidade regulatória para viabilizar investimentos. Segundo ele, a segurança jurídica e os critérios de sustentabilidade são necessários para que os projetos avancem.

O CEO do Grupo FRG Mídias e Eventos, Tiago Fraga, afirmou que a capacidade de geração renovável do Estado favorece o desenvolvimento do mercado de armazenamento. “O poder de produção do RN abre oportunidades para diversos segmentos, dentre eles o BESS, que é o principal ator quando se fala em armazenamento de energia no setor elétrico”, disse.

A realização do encontro em Natal, pela quarta vez, reflete o interesse empresarial pela infraestrutura energética potiguar. A consolidação desse mercado, contudo, dependerá da viabilidade econômica dos projetos, das condições de conexão à rede e da contratação dos serviços de armazenamento.