O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse a interlocutores que calcula ter pelo menos 48 votos para permanecer no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. O número, se confirmado na votação secreta, seria suficiente para superar os 41 votos exigidos para a eleição da Mesa Diretora.
A informação foi publicada pela CNN Brasil nesta segunda-feira 26. Alcolumbre não anunciou publicamente a lista de apoiadores, e os nomes dos 48 senadores não foram divulgados. Por isso, o total representa uma estimativa política atribuída ao presidente do Senado, e não um compromisso formal registrado pelos parlamentares.

O cálculo foi feito um dia depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e diante de um Senado que terá o PL como maior bancada em 2027. Segundo a Agência Senado, a legenda contará com 29 dos 81 integrantes da Casa. O PT terá dez cadeiras; MDB, oito; PP, seis; União Brasil e Republicanos, cinco cada.
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Disputa com o PL
A nova composição amplia o peso do PL, mas não garante ao partido o controle da presidência. Para eleger um nome sem apoio de outras siglas, a bancada ainda precisaria reunir pelo menos 12 votos fora de seus quadros.
O senador potiguar Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, aparece entre os nomes interessados na sucessão. Ele já defendeu mudanças na relação entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF) e declarou que uma reforma do Judiciário estaria entre suas prioridades caso assumisse a presidência da Casa.
A eventual candidatura de Marinho, porém, ainda depende de uma articulação mais ampla. O voto para a Mesa Diretora é secreto, o que permite mudanças até o momento da eleição. Alcolumbre aposta na aproximação com partidos de centro e com a base de Lula para compensar a resistência do PL.
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Impeachment de ministros do STF
Além de projetar maioria para a reeleição, Alcolumbre sinalizou a interlocutores que não pretende colocar em votação pedidos de impeachment contra ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes. A posição o coloca em confronto direto com uma das principais bandeiras da oposição eleita.
A Constituição atribui ao Senado o julgamento de ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Antes de chegar ao plenário, contudo, um pedido precisa ser admitido pela Presidência da Casa. Sem esse despacho, a proposta não avança, ainda que reúna assinaturas de senadores.
O PL usou a campanha para defender uma mudança no comando do Senado e pressionar pela análise dos pedidos contra integrantes do Supremo. Rogério Marinho propôs que a abertura do processo se tornasse automática quando houvesse apoio de 49 senadores. A regra atual não prevê esse encaminhamento obrigatório.
Eleição ocorre em fevereiro
A escolha do presidente do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares eleitos em outubro tomarão posse. O Regimento Interno estabelece votação secreta e exige maioria absoluta da composição da Casa, equivalente a 41 votos. Se ninguém atingir esse número no primeiro escrutínio, haverá nova votação entre os dois mais votados.
Alcolumbre retornou à presidência do Senado em fevereiro de 2025, com 73 votos. Antes, comandou a Casa entre 2019 e 2021. A diferença entre aquela votação ampla e o cenário projetado para 2027 mostra o efeito do crescimento da direita e da reorganização das alianças depois da eleição presidencial.
No domingo 25, após a proclamação do resultado do segundo turno, Alcolumbre reconheceu oficialmente a reeleição de Lula e defendeu a pacificação do país. O gesto reforçou a interlocução com o governo num momento em que Executivo e partidos de centro iniciam as negociações para o próximo mandato.