O governo federal reagiu de forma coordenada à decisão da administração de Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos a partir de 22 de julho. Em uma coletiva que reuniu sete integrantes do primeiro escalão, o Palácio do Planalto contestou os argumentos apresentados por Washington, classificou a medida como politicamente motivada e reafirmou a disposição de manter o diálogo diplomático, ao mesmo tempo em que prepara instrumentos para proteger empresas e empregos afetados.
Segundo cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova sobretaxa atingirá cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques de 2024. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a decisão como “injusta e descabida” e afirmou que o governo continua buscando uma solução negociada.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a medida representa uma “interferência externa indevida” e anunciou que o Executivo já prepara um pacote de apoio às empresas atingidas, concentrado em linhas de crédito subsidiadas por meio do programa Brasil Soberano. Apesar do endurecimento do discurso, ambos evitaram anunciar medidas imediatas de retaliação comercial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, em publicação nas redes sociais, que “não há justificativa” para as tarifas e afirmou que o Brasil continuará defendendo “o Pix, a soberania e os produtores brasileiros”.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, carece de fundamento técnico e tem motivação política. Ele classificou como “inaceitáveis” as declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, dirigidas ao presidente Lula, e afirmou que o governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e telefônicas com autoridades americanas desde março de 2025 na tentativa de evitar o agravamento da disputa.
Na avaliação do chanceler, a decisão de Washington representa uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil, enquanto ministros do Meio Ambiente e do Banco Central rebateram as críticas dos EUA sobre desmatamento, concorrência no mercado de pagamentos e funcionamento do Pix.
Embora o governo mantenha a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, integrantes da equipe econômica indicaram que qualquer resposta será calibrada para reduzir impactos sobre consumidores e empresas brasileiras. A estratégia combina a manutenção das negociações diplomáticas com ações de mitigação dos efeitos econômicos para setores como madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar, apontados entre os mais afetados pela nova tarifa.
Para analistas como o ex-ministro Rubens Ricupero e o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, a tendência é de que as negociações avancem lentamente e se prolonguem pelos próximos meses, diante da baixa prioridade atribuída pelos Estados Unidos ao Brasil em meio às tratativas comerciais com China e União Europeia.