Já é consenso entre a classe política e empresarial do RN que há uma necessidade do estado se unir e buscar junto à Petrobras um preço diferenciado no Qav (querosene de aviação), uma vez que o RN é o único produtor da região – através da Refinaria Clara Camarão, em Guamaré – e São Gonçalo está mais próximo da refinaria do que os estados vizinhos que também disputam o Hub da Tam.
No entanto, para o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, Jean Paul Prates, a necessidade maior no momento, antes de uma reunião definitiva com a Petrobrás, é buscar o setor de abastecimento e refino da estatal e saber se já existe algum grupo trabalhando em cima desse pleito e que condições reais o estado poderia apresentar à Petrobras como vantagem para a empresa conceder o benefício ao RN.

“Foi dito na reunião de hoje no Sebrae que parece que estaria havendo um grupo na Petrobras trabalhando nessa questão do preço do Qav. Se isso está em curso, talvez a gente consiga uma resposta que justifique o pleito do estado”, afirma Jean Paul Prates.
Ao final da reunião de hoje (17) no Sebrae, ficou decidido que o secretário de Turismo, Ruy Gaspar, irá marcar reuniões prévias com o setor de abastecimento e refino da Petrobras para ajustar alguns detalhes técnicos e logísticos que justifiquem um desconto ao RN. Após essa reuniões será marcada uma definitiva para buscar a reposta da estatal.
“Nós todos temos que ajudar a Petrobras a nos ajudar, nós temos que dar motivos, ajudar a construir razões técnicas e econômicas para que ela nos dê um preço mais favorável. Existem razões para isso, porque nós estamos mais próximos do ponto produtor, que é a refinaria Clara Camarão”, afirma.
Ela acrescenta ainda que “não adianta só ir lá pedir um preço mais baixo, porque a Petrobras não vai dar isso, ela só vai dar se ela tiver de fato vantagens logísticas ou vantagens técnicas em São Gonçalo do Amarante. Fora isso, o preço na saída do terminal é igual para todo mundo”, defende Prates.
Na opinião de Jean, as reuniões prévias são “extremamente importantes” para dialogar mais detalhadamente com a Petrobras, “porque ficar só no pedido, eu quero isso, dá um jeitinho aí, faz pra mim, isso aí não funciona no comercial aberto, porque tudo o que a Petrobras dá ela tem que justificar aos seus acionistas”.