A Câmara Municipal de Natal discutiu, nesta terça-feira 10, um projeto de lei que leva para a rede municipal de saúde o debate sobre adultos que tratam bonecas reborn como bebês reais. A proposta é do vereador Preto Aquino (Podemos) e cria uma campanha municipal de conscientização sobre a humanização de brinquedos por adultos, especialmente bonecas com características humanas e infantis.
O projeto foi lido em plenário durante a sessão ordinária da Câmara. Pela proposta, a campanha passaria a integrar o protocolo padrão de atendimento psiquiátrico da rede municipal de saúde. O objetivo é orientar a população sobre a criação de laços afetivos reais ou imaginários com brinquedos e sobre os possíveis impactos para a saúde mental.

As bonecas reborn ganharam ampla repercussão nas redes sociais por causa do alto grau de realismo. Elas são produzidas artesanalmente para se parecerem com bebês humanos, com detalhes no rosto, pele, cabelo, peso e roupas. O fenômeno passou a gerar debate público no Brasil quando adultos começaram a aparecer em vídeos tratando as bonecas como filhos, levando-as a passeios, consultas simbólicas e situações do cotidiano.
Na Câmara, Preto Aquino afirmou que o tema não deve ser tratado com deboche, discriminação ou bullying. Segundo ele, pessoas que desenvolvem apego excessivo a esse tipo de objeto podem precisar de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, dependendo do grau de sofrimento ou distorção da realidade.
“A gente não pode ridicularizar, a gente não pode discriminar. Essas pessoas precisam, sim, de tratamento”, afirmou o vereador. Ele disse que a rede pública deve estar preparada para acolher e encaminhar casos em que o apego à boneca deixe de ser apenas lúdico e passe a indicar sofrimento emocional.
O texto do projeto fala em informar sobre o caráter lúdico e representativo do objeto de apego, orientar sobre a necessidade de separação entre o real e o imaginário e possibilitar que a rede pública de saúde acompanhe casos de distorção da realidade a partir do apego excessivo à humanização de brinquedos.
Preto Aquino disse que, no momento em que protocolou a proposta, o assunto estava em alta no Brasil e havia relatos de pessoas procurando unidades de atendimento para tratar situações relacionadas ao tema. Segundo ele, Natal não registrou casos graves de ampla repercussão, mas isso não impede o município de discutir a prevenção e a orientação.
“Graças a Deus essa turbulência já passou. Graças a Deus nós não evidenciamos casos muito graves aqui no Rio Grande do Norte. Mas a gente não pode deixar de abordar”, declarou.
O vereador reforçou que o objetivo não é criminalizar nem constranger pessoas que colecionam ou se afeiçoam a bonecas reborn. A proposta mira situações em que o vínculo com o objeto passa a interferir na percepção da realidade ou indicar necessidade de cuidado em saúde mental.
O projeto ainda precisa avançar no processo legislativo da Câmara. Caso aprovado e sancionado, caberá ao município definir como a campanha será executada na rede de saúde e quais orientações serão repassadas aos profissionais e à população.