A corrida para popularizar os veículos elétricos no Brasil ganhou um novo capítulo com a chegada do Emova Easy, modelo que assume o posto de carro elétrico mais barato do país. Importado pela E-Motors e produzido na China pela Jiangling Motors, o compacto parte de R$ 69.990 e chega ao mercado acompanhado do Emova Urban, vendido a partir de R$ 99.990.
A estratégia da empresa combina preços abaixo dos praticados pelos principais concorrentes, foco em vendas diretas para empresas e autoescolas e um plano de nacionalização da montagem dos veículos nos próximos anos.

Os modelos foram inicialmente apresentados ao mercado como EV2 e EV3. No entanto, a nomenclatura precisou ser alterada após a Kia questionar o uso das denominações. A montadora sul-coreana alegou possuir o registro dos nomes junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O Kia EV3, inclusive, já foi apresentado ao público brasileiro durante o Salão do Automóvel de São Paulo de 2025 e está em fase de homologação para lançamento no país.
Com a mudança, os veículos passaram a ser comercializados sob a marca Emova, criada pela E-Motors para a operação brasileira.
O Emova Easy chega em duas versões. A configuração Standard, de R$ 69.990, inclui rádio, rodas de 14 polegadas e sensor de estacionamento traseiro. Já a versão Comfort, vendida por R$ 75.990, adiciona central multimídia e câmera de ré.
O principal diferencial do modelo é o posicionamento voltado para uso urbano. Com 3,5 metros de comprimento, o veículo é menor que modelos populares a combustão, como o Fiat Mobi e o Renault Kwid. Em compensação, oferece entre-eixos de 2,30 metros, buscando ampliar o espaço interno para os quatro ocupantes homologados.
A motorização é a mesma em ambas as versões. O conjunto utiliza motor elétrico de 40 cavalos de potência e torque de 8,6 kgfm, alimentado por bateria de aproximadamente 17 kWh. Segundo a fabricante, a autonomia pode alcançar até 200 quilômetros.
O projeto também foi desenvolvido para atender um nicho pouco explorado entre os elétricos: o segmento de autoescolas. Para isso, a empresa criou um sistema que simula o funcionamento de um câmbio manual convencional, incluindo pedal de embreagem e até mesmo a possibilidade de o veículo desligar caso o motorista execute a troca de marchas de forma incorreta.
Segundo a E-Motors, o sistema foi desenvolvido especificamente para o mercado brasileiro, onde a familiaridade com transmissões manuais ainda é predominante em parte do processo de formação de condutores.
Além do sistema de câmbio simulado, os veículos podem receber kit de duplo comando, com pedais adicionais de freio e embreagem instalados no lado do passageiro para uso em aulas práticas.
A empresa aposta que essa configuração poderá abrir espaço para a eletrificação gradual das frotas de autoescolas, segmento ainda dominado por veículos movidos a combustíveis fósseis.
O segundo lançamento da marca, o Emova Urban, posiciona-se em uma faixa superior do mercado. Com 3,72 metros de comprimento e entre-eixos de 2,39 metros, o modelo tem dimensões próximas às do Renault Kwid, mas aposta em maior autonomia e nível de equipamentos para justificar o preço mais elevado.
O motor elétrico entrega 68 cavalos de potência e torque de 12,7 kgfm. A bateria de 30,24 kWh permite autonomia de até 330 quilômetros, segundo os dados divulgados pela fabricante.
A lista de equipamentos inclui chave presencial, central multimídia de sete polegadas, ar-condicionado digital e câmera de ré. Assim como o Easy, o Urban também pode ser adquirido com sistema automático ou com a transmissão manual simulada.
Os lançamentos chegam em um momento de expansão do mercado brasileiro de veículos eletrificados. Nos últimos anos, a combinação de maior oferta de modelos chineses, redução gradual de preços e expansão da infraestrutura de recarga ampliou a presença dos elétricos no país, embora o segmento ainda represente parcela reduzida da frota nacional.
A E-Motors pretende aproveitar esse cenário para acelerar sua expansão comercial. Atualmente, a empresa opera com apenas uma concessionária, localizada em Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, mas projeta alcançar 30 pontos de venda em até um ano.
A meta é comercializar mil unidades dos dois modelos até o fim de 2026.
Além da ampliação da rede, a empresa já trabalha em um plano de produção nacional. A intenção é montar os veículos no regime SKD (Semi Knocked-Down) na Planta Automotiva do Ceará (PACE), localizada em Horizonte, na região metropolitana de Fortaleza.
A unidade industrial também abriga operações ligadas à montagem dos modelos elétricos da General Motors, incluindo o Chevrolet Captiva EV e o Chevrolet Spark EUV.
Caso a estratégia avance, a E-Motors passará a integrar o grupo de empresas que buscam transformar o Nordeste em um dos polos da indústria de veículos elétricos no Brasil. Para a companhia, a combinação entre preços mais acessíveis, nichos específicos de mercado e produção local pode ser o caminho para ampliar a presença dos elétricos em um segmento historicamente dominado por modelos compactos a combustão.