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Política

“Nilda injeta R$ 7 milhões na Festa do Sabugo enquanto o povo agoniza na UPA”, detona vereador

Vereador Gabriel César acusa Prefeitura de Parnamirim de não executar emendas impositivas destinadas à saúde e diz que faltam equipamentos básicos na UPA e no Hospital Márcio Marinho
Redação
10/06/2026 | 18:48

O vereador Gabriel César (PL) fez uma dura crítica à gestão da prefeita Nilda Cruz (Solidariedade), em Parnamirim, ao comparar problemas na rede municipal de saúde com os gastos previstos para a Festa do Sabugo. Em pronunciamento na Câmara Municipal, ele afirmou que a Prefeitura não executou emendas impositivas destinadas à compra de equipamentos para unidades de saúde e questionou a prioridade dada ao evento, citado por ele como tendo custo de R$ 7 milhões.

A frase mais forte do discurso foi dirigida à situação enfrentada por pacientes da rede municipal. “Enquanto o povo agoniza na UPA, agoniza na maternidade, agoniza no Márcio Marinho, gastar R$ 7 milhões numa Festa do Sabugo não tem justificativa”, afirmou o vereador. Em seguida, completou: “Isso é um tapa na cara do povo”.

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“Nilda injeta R$ 7 milhões no Sabugo enquanto o povo agoniza na UPA”, detona vereador - Foto: João Gabriel Grilo/Câmara de Parnamirim

Gabriel disse que destinou emendas impositivas para a compra de equipamentos para o Hospital Márcio Marinho, em Pirangi, mas que os itens não foram adquiridos pela Prefeitura. Entre os equipamentos citados por ele estão otoscópios, kits de intubação, ventilador pulmonar e itens de suporte ao atendimento cardiovascular.

Segundo o parlamentar, a situação também se repete na UPA. Ele afirmou ter destinado recursos para a aquisição de estufa, ultrassom portátil, suportes para soro, macas com grades, autoclave, máscaras de Hudson, cadeiras de banho, ventilador mecânico e poltronas. A crítica central é que, mesmo com as emendas aprovadas no orçamento, os equipamentos ainda não teriam chegado às unidades.

“A Prefeitura não executa as emendas impositivas que nós estamos destinando para a saúde”, disse Gabriel. Ele afirmou que foi verificar pessoalmente se os itens haviam sido comprados e declarou que não encontrou a execução das compras.

O vereador também relatou problemas no Hospital Márcio Marinho. Segundo ele, a unidade ficou sexta-feira, sábado e domingo sem bioquímico, o que teria obrigado o deslocamento de coletas de sangue para a UPA ou para a maternidade antes que o médico pudesse avaliar os exames dos pacientes. Para Gabriel, a ausência do profissional compromete a retaguarda laboratorial e atrasa o atendimento.

Outro ponto citado foi a condição de acompanhantes e pacientes nas unidades. Gabriel disse que, enquanto em hospitais privados há poltronas para quem acompanha pacientes internados, na rede municipal de Parnamirim pessoas continuam passando horas em cadeiras de plástico. Ele afirmou que parte das emendas serviria justamente para corrigir esse tipo de deficiência estrutural.

Durante o pronunciamento, o vereador também cobrou a ida do secretário municipal de Saúde, Lealdo, à Câmara para prestar esclarecimentos. Segundo Gabriel, o gestor deve explicar por que emendas impositivas aprovadas para a saúde ainda não foram executadas. Ele afirmou que a prestação de contas do quadrimestre é obrigação prevista em lei federal.

Gabriel disse ainda que pretende judicializar as emendas impositivas não cumpridas pela gestão municipal em 2025 e 2026. “Nós iremos judicializar as emendas impositivas que não foram cumpridas em 2025 e não foram cumpridas em 2026”, afirmou. Segundo ele, a medida será adotada porque a Prefeitura não teria realizado as compras previstas para a saúde.

A fala ocorreu durante a 53ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Parnamirim, nesta terça-feira 9. No mesmo pronunciamento, Gabriel também criticou a demora da Prefeitura em resolver problemas de infraestrutura, citando buracos e valas na Avenida Mário Negócio, nas proximidades do CT do América, onde, segundo ele, moradores e motoristas já sofreram prejuízos.

O parlamentar afirmou que vem notificando problemas desde dezembro e questionou por que o poder público espera acidentes ou danos a veículos para agir. Também cobrou atuação da Prefeitura junto à Caern em casos de buracos e ligações clandestinas que afetam vias do município.

No eixo da saúde, porém, a crítica foi mais direta à gestão Nilda. Para Gabriel, não há justificativa para a Prefeitura manter gastos elevados com evento festivo enquanto unidades de saúde aguardam equipamentos básicos. A comparação entre os R$ 7 milhões da Festa do Sabugo e a falta de estrutura em hospitais e UPA passou a ser o ponto mais forte da cobrança feita pelo vereador.

A Prefeitura de Parnamirim não se manifestou na sessão sobre as declarações do parlamentar. O espaço permanece aberto para eventual esclarecimento da gestão municipal sobre a execução das emendas impositivas, a situação do Hospital Márcio Marinho e os investimentos previstos para a rede de saúde.