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Editorial
O privilégio de servir
Redação
16/07/2020 | 21:35

A pandemia do novo coronavírus não deveria nos ensinar o que fazer, mas, infelizmente, ensina. E, embora tantas lições tenham pego a todos de surpresa num período relativamente curto de tempo, a crise sanitária revelou a nossa imensa incapacidade coletiva de aprender e fazer o que é certo.

O primeiro impulso de boa parte dos atores desse processo foi tirar proveito da crise, realçando tradicionais diferenças entre os grupos ao invés de atenuá-las.

União, estados e municípios, por meio de seus comitês científicos, protagonizaram um divórcio à medida em que a crise avançava com rapidez.

As guerras e depressões econômicas do século 20 ocorreram sem que o cidadão comum soubesse o que o havia atingido. Hoje, com a internet e a tecnologia, foi possível saber o grau de destruição imposto pela Covid-19 em tempo real.

O governo, brasileiro, no entanto, preferiu ignorar.

O aparelhamento estatal por militares da ativa e da reserva agregou um ingrediente que se imaginava superado: a cooptação das Forças Armadas ao poder de turno, quando essas armas sagradas não deveriam mais se prestar a esse papel.

E o fato dessa ressurreição estar atrelado a um capitão insubordinado em seus tempos de caserna, mas dono de votos, não ajudou nada a imagem dessa importante instituição.

Poupados pela reforma previdenciária que atingiu a esmagadora maioria dos brasileiros e recompensados pecuniariamente ao ingressar no governo, um número crescente de militares parece cada dia mais gostar do perfume do poder.

O fato é que as Forças Armadas pertencem ao Brasil e aos brasileiros e não às estruturas de poder, como parte interessada do ponto de vista corporativo.

E era de se supor que esta discussão já estivesse superada, até que, saído do baixo clero da Câmara Federal, apareceu um capitão mal militar, mas bom de voto.

Num momento em que o País começava a reavivar sua confiança nos nobres homens e mulheres fardados que deveriam nos proteger como uma nação, voltamos a falhar.

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