A meta de alcançar a neutralidade de emissões de carbono, limitando o aquecimento global a 1,5ºC até 2030, exigirá transformações em setores da economia. Um dos principais pilares dessa missão é a transição energética: a substituição de combustíveis fósseis por tecnologias com baixa ou zero emissões.
Sabemos que o setor automotivo tem importância enorme na economia do Brasil. Somos muito competentes na fabricação e no uso do carro a etanol. Os biocombustíveis e o motor flexfuel — inovações desenvolvidas no Brasil nos últimos 50 anos — fizeram com que o país tivesse um dos setores de transporte com menos emissão de gases de efeito estufa do mundo.
Hoje, o veículo elétrico vem se consolidando como solução global para descarbonização, pois não depende de área, solo e clima para grandes plantações como os biocombustíveis. As emissões ligadas a sua fabricação e utilização vêm caindo ao redor do mundo, uma vez que os grids elétricos vêm se tornando mais limpos, pois a participação das renováveis na geração total de eletricidade mais que dobrou desde 2015.
No momento, as principais tecnologias de baterias são baseadas em matérias-primas como lítio, cobalto, níquel e grafite. Por isso, a descarbonização do transporte exigirá quantidades significativas desses materiais críticos, um fato que traz preocupações sobre a suficiência de suprimentos. O Brasil conta com reservas importantes de minerais críticos e pode ser beneficiado de fatores ambientais e geopolíticos para ser uma superpotência no setor.
Com a revolução industrial, a produção de energia elétrica e calor passaram a ser os principais responsáveis pelas emissões de CO2 do mundo, seguidos pelas emissões de veículos com motores a combustão. No Brasil toda a nova energia elétrica a ser utilizada pelos veículos elétricos deverá vir de fonte solar ou eólica, que são hoje as fontes mais baratas e as responsáveis por praticamente toda a expansão do parque gerador nacional.
Rodrigo Rafael, jornalista, Diretor de Representação Institucional da Assembleia Legislativa e tem MBA em Environmental, Social & Governance (ESG) pelo IBMEC/São Paulo.
