Diante da queda no volume de chuvas no País e da diminuição da geração de energia por hidrelétricas, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou que a bandeira em junho será vermelha, indicando aumento no custo da energia para os consumidores. Para compensar a baixa nas afluências, será necessário acionar usinas termoelétricas, que têm custo de produção mais elevado.
O Rio Grande do Norte é atingido mesmo sendo um dos estados com protagonismo na expansão da matriz energética, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). De acordo com os dados publicados, o RN expandiu sua capacidade instalada em 2,035 GW de um total de 8,4 GW no Brasil, aumento puxado principalmente por novas usinas das fontes eólica e solar. O adicional é suficiente para abastecer mais de 4 milhões de residências. Atualmente, o RN é vice-líder de produção em energia eólica, uma das principais fontes limpas em expansão no Brasil.

O volume de água que chega aos reservatórios hídricos em outros estados está abaixo da média, o que compromete a geração hidrelétrica e pressiona os custos de energia. A bandeira tarifária das contas de energia neste mês aumenta as despesas dos consumidores, que terão custo extra de R$ 4,463 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. No mês passado, já tinha sido acionado a bandeira amarela, em razão da transição do período chuvoso para o período seco do ano, e as previsões de chuvas e vazões nas regiões dos reservatórios para os próximos meses ficaram abaixo da média.
Desde dezembro de 2024, a bandeira tarifária permanecia verde, por causa das condições favoráveis de geração de energia no País. Mas, com o fim do período chuvoso no Brasil, a previsão de geração de energia proveniente de hidrelétrica piorou, o que nos próximos meses poderá demandar maior acionamento de usinas termelétricas, que possuem energia mais cara. Pela regra anterior, o repasse somente previa reajustes tarifários anuais, e o consumidor não tinha a informação de que a energia estava cara naquele momento e, portanto, não tinha um sinal para reagir a um preço mais alto.
O sistema de bandeiras tarifárias da Aneel funciona como um indicador das condições de geração de energia no Brasil. Quando as condições são favoráveis, a bandeira é verde e não há custo extra. Em situações menos favoráveis, são acionadas as bandeiras amarela, vermelha patamar 1 ou vermelha patamar 2, que geram cobranças adicionais para cobrir os custos mais altos da geração.
A bandeira vermelha tem dois patamares. No primeiro, a tarifa sofre acréscimo de R$ 4,463 para cada 100 quilowatt-hora kWh consumido. No patamar dois, o valor passa para R$ 7,877 para cada 100 quilowatt-hora kWh consumido. A expectativa é que, com a melhora das condições climáticas, a bandeira possa retornar a patamares mais baixos nos próximos meses.