Pela primeira vez desde 2019, o MapBiomas registrou em um mesmo ano, queda na perda de cobertura de vegetação nativa em quase todos os biomas do Brasil. A única exceção ficou na Mata Atlântica, que se manteve estável após queda relevante no ano anterior e apesar do impacto dos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul. De acordo com o nova Relatório Anual do Desmatamento (RAD) no Brasil, que traz dados até 2024, a área total desmatada no país recuou 32,4% em relação a 2023, enquanto o número de alertas validados caiu 26,9%.
Ao longo de 2024, a área média desmatada por dia foi de 3.403 hectares ou 141,8 hectares por hora. A Amazônia perdeu 1.035 hectares por dia, ou sete árvores por segundo. No Cerrado, o ritmo da perda foi mais intenso: 1.786 hectares por dia. Um dado curioso é que o desmatamento por pressão da Agropecuária responde por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil, desde 2019.

Mesmo com bons dados, o desmatamento continua avançando e o Cerrado perdeu 652.197 hectares: foi o ecossistema mais desmatado nesse período. Já o Pantanal apresentou a maior redução proporcional. A região conhecida como Matopiba – que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – concentrou 75% do desmatamento do Cerrado em 2024, representando mais da metade da aérea devastada no país.
O Maranhão e o Pará foram os estados com maior área destruída. Mas os dois também apresentaram redução no desmatamento na comparação com 2023. Entre abril e maio de 2024, eventos extremos climáticos no Rio Grande do Sul resultaram em grandes perdas da vegetação nativa no Estado. Foram registrados 627 alertas que totalizaram 2.805,8 hectares de áreas naturais perdidas.
Destaque no Nordeste, a Caatinga teve uma situação preocupante no Estado do Piauí. Um único imóvel rural desmatou 13.628 hectares em três meses, o maior alerta de desmatamento já publicado pelo MapBiomas ao longo de seis anos de monitoramento. Analisando somente para os municípios que mais desmatam, os quatro primeiros que registraram o maior aumento também estão no Piauí. São eles: Canto do Buriti, Jerumenha, Currais e Sebastião Leal.
Em seis anos, o Brasil perdeu uma área de vegetação equivalente a Coreia do Sul. Na comparação dos dois últimos anos, o Pantanal (redução de 58,6%) e o Pampa (redução de 42,1%) foram os biomas que apresentaram a maior redução das áreas desmatadas. O Cerrado (redução de 41,2%) aparece em terceiro lugar, seguido da Amazônia (redução de 16,8%) e da Caatinga (redução de 13,4%). A Mata Atlântica teve um crescimento de 2%. Ao todo, foram desmatados 1.242.079 hectares e registrados 60.983 alertas no território brasileiro em 2024.
Rodrigo Rafael é jornalista, Diretor de Representação Institucional da Assembleia Legislativa e tem MBA em Environmental, Social & Governance (ESG) pelo IBMEC/São Paulo