No Rio Grande do Norte, a gente escuta muito uma frase que já virou clichê: somos um estado rico com um povo pobre. E, sendo bem direto, isso não é exagero. É a realidade.
Nosso estado é cheio de riqueza. Tem petróleo, vento forte pra energia eólica, sol o ano inteiro pra energia solar, praias paradisíacas, mar cheio de atum, terras raras – com potencial mineral… É muita coisa boa. Só que tem um detalhe: essa riqueza não fica aqui.

O que a gente vê é sempre a mesma história. As empresas chegam, exploram os recursos, levam tudo embora – e o que sobra para a gente é muito pouco. Os empregos melhores, com salários mais altos, sempre ficam com gente de fora. As empresas que fornecem serviços também vêm de longe. Ou seja, o dinheiro não gira aqui. Ele passa e vai embora.
E tem uma coisa ainda mais curiosa: muitas dessas riquezas a gente nem sabe que existem.
Teve um caso que chamou atenção: uma grande reserva de ouro na região do Seridó. Gente falando até em mudar o trajeto de uma BR para poder explorar o ouro que tem ali embaixo. E quantas pessoas daqui sabiam disso? Quase ninguém. Mas empresas de fora já sabiam há muito tempo.
Com o lítio acontece algo parecido. É um mineral importante, usado nas baterias de carros elétricos, que o mundo todo quer. Pois bem, existem reservas aqui na Borborema potiguar. E sabe quem já saiu na frente pra explorar isso? Empresas estrangeiras. Enquanto isso, a gente nem tomou conhecimento.
E assim segue com várias outras riquezas: energia, pesca, minerais… Tudo sendo aproveitado, mas com retorno zero pra quem vive aqui.
Enquanto isso, o povo continua enfrentando dificuldade. Tem gente sem emprego, sem renda suficiente, sem acesso escola, sem remédios, sem casa, sem comida. É como se estivéssemos sentados em cima de uma montanha de dólares — mas sem nem saber – e sem conseguir aproveitar nada dela.
A pergunta que fica é simples, mas incômoda: por que isso acontece?
Como é que, em pleno século XXI, com tanta informação e conhecimento disponível, a gente ainda vive uma situação parecida com a de antigamente, do Brasil colônia onde as riquezas são levadas e nada fica?
A verdade é que falta organização, estratégia e, principalmente, decisão. Não é só ter riqueza. É saber transformar isso em oportunidade pra quem vive aqui.
Mas essa conversa é longa.
E merece ser aprofundada.
Fica para um próximo artigo – para a próxima semana.
*Vagner Araujo (@fvagner) é secretário do Planejamento de Natal